Usina nuclear está sob o controle da Rússia desde março
Peritos da ONU mantêm visita a Zaporizhzhia apesar de bombardeios
INTERNACIONAL
Os bombardeios na cidade de Enerhodar, perto da usina nuclear de Zaporizhzhia, estão em andamento, desde a manhã desta quinta-feira (1º), segundo autoridades regionais instaladas na Ucrânia e na Rússia.
“Desde as 5 da manhã [horário local], os constantes bombardeios de morteiros não pararam”, disse o prefeito de Enerhodar, Dmytro Orlov, em um post do Telegram, acrescentando que “helicópteros” estavam circulando sobre a cidade.
“Pode-se ouvir armas automáticas. Sabe-se que várias instalações civis foram atingidas. Há vítimas! Estamos esclarecendo quantas”, continuou.
A administração civil-militar de Enerhodar, indicada pela Rússia, também afirmou que houve “pelo menos três” vítimas civis e cinco feridos, incluindo uma criança.
A CNN não conseguiu verificar independentemente as alegações de nenhum dos lados.
Os relatos chegam enquanto uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da Organização das Nações Unidas (ONU), viaja para a usina nuclear para uma inspeção planejada da instalação no sudeste da Ucrânia, que está sob controle das forças russas desde março.
Em um relatório separado, o chefe da administração militar regional de Zaporizhzhia da Ucrânia, Oleksandr Starukh, acusou as forças russas de “atacar a rota pré-acordada da missão da AIEA de Zaporizhzhia até a usina nuclear de Zaporizhzhia”.
A CNN entrou em contato com a AIEA a respeito de quaisquer obstáculos ou problemas de segurança em sua rota pré-estabelecida para a usina, mas não recebeu uma resposta.
Partindo da cidade de Zaporizhzhia na quinta-feira, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reconheceu os “riscos inerentes” que sua equipe de monitoramento enfrentaria depois de deixar a “zona cinzenta” onde termina a última linha de defesas ucranianas, mas disse que a missão perseverará.
“CNN Brasil”
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

