"Isso só levará a níveis de miséria sem precedentes e empurrará ainda mais a população de Gaza para o abismo". disse comissário das Nações Unidas
Ordem de Israel para deslocamento de civis em Gaza é “horrenda”, diz ONU
INTERNACIONAL
A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para refugiados palestinos descreveu, nesta sexta-feira (13), a ordem de Israel para deslocar mais de 1 milhão de civis para o sul da Faixa de Gaza em 24 horas como “horrenda” e disse que o território estava rapidamente se tornando um “buraco do inferno”.
Os militares de Israel fizeram o apelo enquanto reúnem tanques para uma esperada invasão terrestre em resposta ao ataque surpresa do Hamas.
“O apelo das forças israelenses para deslocar mais de 1 milhão de civis que vivem no norte de Gaza dentro de 24 horas é horrendo”, disse Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês), em um comunicado.
“Isso só levará a níveis de miséria sem precedentes e empurrará ainda mais a população de Gaza para o abismo”, completou.
Lazzarini disse que mais de 423 mil pessoas já foram deslocadas e mais de 270 mil estão refugiadas em abrigos da UNRWA.
“A escala e a velocidade da crise humanitária que se desenrola são assustadoras”, disse ele. “Gaza está rapidamente se tornando um buraco do inferno e está à beira do colapso”, acrescentou.
A ONU disse, nesta sexta-feira (13), que havia realocado seu centro de operações central e pessoal internacional para o sul de Gaza para continuar suas operações humanitárias.
Criada em 1949, após a primeira guerra árabe-israelense, a UNRWA presta serviços públicos, incluindo serviços escolares, cuidados de saúde primários e ajuda humanitária em Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, na Síria e no Líbano.
As autoridades de Israel acusaram a UNRWA de perpetuar o problema dos refugiados palestinos e afirmaram que o sentimento anti-Israel é abundante nas instituições – acusações que a agência rejeita.
“CNN Brasil”
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

