Para Guterrez conflito ameaça segurança alimentar no mundo
ONU afirma que guerra na Ucrânia gera preocupação com fome global
INTERNACIONAL
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse nesta quarta-feira (11) que está profundamente preocupado com o risco de generalização da fome, uma vez que a guerra na Ucrânia ameaça a segurança alimentar em diferentes partes do mundo.

Falando ao lado do chanceler e do ministro das Relações Exteriores da Áustria em Viena, Guterres também disse que as conversações estão em andamento para a retirada de mais civis das zonas de conflito na Ucrânia, e expressou confiança de que mais saídas irão acontecer no futuro.
Entretanto, ele minimizou a perspectiva de que conversações de paz sobre a Ucrânia aconteçam em breve.
A guerra na Ucrânia fez subir os preços globais de grãos, óleos de cozinha, combustíveis e fertilizantes, e agências da ONU alertaram que as altas de preços agravarão a crise alimentar na África.
A invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro, perturbou a navegação no Mar Negro, uma rota importante para grãos e outras commodities, estrangulando as exportações da Ucrânia e da Rússia.
“Devo dizer que estou profundamente preocupado, ou seja, com os riscos de que a fome se generalize em diferentes partes do mundo devido à dramática situação de segurança alimentar que estamos enfrentando por causa da guerra na Ucrânia”, disse Guterres.
Em um evento anterior, Guterres disse que chegará o momento em que irão haver negociações de paz sobre a Ucrânia, mas ele não acredita que esse momento será no futuro próximo.
“Esta guerra não vai durar para sempre. Haverá um momento em que as negociações de paz acontecerão”, disse Guterres numa conferência de imprensa com o presidente austríaco, Alexander Van der Bellen.
“Não vejo isso no futuro imediato. Mas posso dizer uma coisa: nunca desistiremos”, acrescentou.
“EBC”
INTERNACIONAL
Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

