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Jornalista que cobriu início da Covid-19 na China será libertada após quatro anos de prisão
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Após quatro anos de prisão, a advogada e jornalista chinesa Zhang Zhan deve ser libertada na segunda-feira (13). Ela foi presa por cobrir o início da Covid em Wuhan e se manifestar contra a falta de transparência e as restrições às liberdades durante a pandemia. Mas sua libertação não significa um regresso pleno à liberdade.
Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim, com a colaboração de Chi Xiangyuan
Os apoiadores de Zhang Zhan na China estão divididos entre o alívio e a preocupação, às vésperas de sua libertação. Depois de quatro anos de muitas dificuldades, a jornalista deve de fato ser liberada, mas obrigada a permanecer em silêncio e ser colocada em prisão domiciliar, teme Zhou Fengsuo, da organização Direitos Humanos na China.
“Após a sua libertação da prisão, Zhang Zhan provavelmente não terá permissão para deixar o país, ou mesmo Xangai”, diz ele. “Onde quer que ela vá, será seguida e quem a visitar será interceptado e ameaçado. Este é o destino dos presos políticos hoje na China”, completa.
Ajuda da comunidade internacional
Originário da província de Shaanxi, como Zhang Zhan, Zhou lembra que a jornalista estudou primeiro finanças e economia, antes de fazer campanha pelas liberdades, “deixando de lado uma vida mais fácil, para defender a sociedade civil”.
Ele também diz que admira sua “coragem incrível”. “Zhang ficou sozinha contra tudo enquanto, no início da Covid-19, o Partido Comunista agia como se estivesse enfrentando um grande inimigo”, diz.
Espero que a comunidade internacional continue a apoiar Zhang Zhan. Seria melhor se ela pudesse deixar o país. É claro que a mãe e o irmão sentiriam muita falta dela, mas também são mantidos como reféns e não conseguem se expressar”, afirma ele.
O Tribunal Popular do Novo Distrito de Pudong, Xangai, acusou a jornalista, em seu julgamento, em 28 de dezembro de 2020 de ter entrado no cidade de Wuhan, em 3 de fevereiro de 2020, e posteriormente publicar “uma grande quantidade de informações falsas em textos, vídeos e outros meios via WeChat, Twitter, YouTube e outras mídias online”.
Mas as autoridades acusam a jornalista principalmente por ter exposto a situação em Wuhan durante entrevistas dadas a meios de comunicação estrangeiros e de Hong Kong, como a Radio Free Asia e o Epoch Times.
Um ex-advogado da ativista afirma ter recebido a visita da polícia na tarde de sábado (11). “Há várias pessoas esperando em frente a minha porta, prontas para me prender”, disse ele. “Querem me impedir de ir até a prisão feminina de Xangai”, afirma, onde está presa a jornalista.
Informações que irritaram Pequim
Zhang Zhan informou em um vídeo do início de 2020, que toda a cidade de Wuhan estava paralisada e sob vigilância. “Eles nos prendem em nome da prevenção da pandemia e restringem nossa liberdade”, denunciou. Ela foi condenada a uma pena de detenção mais longa do que outros jornalistas que denunciaram a Covid, como Chen Qiushi e Fang Bin.
“Ela pagou um alto preço por sua coragem”, explica Jane Wang, ativista e fundadora do freezhangzhan.org. “Após sua prisão, Zhang Zhan se recusou a confessar e a fazer sua autocrítica. Após a condenação, ela adotou uma forma drástica de protesto, a greve de fome. Eles a entubaram para forçá-la a comer, ela ficou algemada, amarrada à cama por mais de dez dias”, relata.
Após várias greves de fome, ela foi hospitalizada de agosto a novembro de 2021, continua Jane Wang. “Soubemos então que seu peso havia caído para menos de 40 quilos. Hoje soubemos que ela está melhor. A melhoria da sua saúde está ligada à atenção que tem recebido da comunidade internacional”, afirma.
Zhang Zhan, de 40 anos, teve poucas oportunidades de se comunicar com sua família na prisão. Seus parentes esperam poder vê-la sem restrições após sua libertação.
“RFI”
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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita
Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.
A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.
O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.
Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.
O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.
A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.
A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.
Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.
A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.
“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.
A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.
A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.
A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.
Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.
“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

