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EUA anunciam novos envios de armas à Ucrânia e pedem à China que se distancie da Rússia

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Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira novos envios de armas à Ucrânia, que as solicita para tentar impedir a conquista da região do Donbass pelas tropas russas, e pediram à China que não fique “no lado errado da História” alinhando-se a Moscou.

A remessa, no valor de 1 bilhão de dólares, inclui artilharia, sistemas de defesa anti-navio, munição e sistemas avançados de mísseis já usados pela Ucrânia. “Reafirmei meu compromisso de que os Estados Unidos estarão com a Ucrânia na defesa de sua democracia e sua soberania e integridade territorial diante de uma agressão russa não provocada”, disse Biden, segundo um comunicado.

Mapa da Ucrânia com as mortes de civis registradas pela ONG Acled desde o início do conflito, em 24 de fevereiro.© Sylvie HUSSON Mapa da Ucrânia com as mortes de civis registradas pela ONG Acled desde o início do conflito, em 24 de fevereiro.

O presidente também anunciou 225 milhões de dólares em assistência humanitária para a Ucrânia. O dinheiro será destinado a alimentos, água potável, suprimentos médicos e outros bens essenciais. “A coragem, resiliência e determinação do povo ucraniano continuam a inspirar o mundo”, disse Biden.

Uma comissão da ONU recebeu diversas informações em diferentes lugares da Ucrânia sobre possíveis crimes de guerra supostamente cometidos pelas forças russas no país, mas o presidente do órgão, Erik Mose, disse que ainda é cedo para tirar conclusões.© Quentin TYBERGHIEN Uma comissão da ONU recebeu diversas informações em diferentes lugares da Ucrânia sobre possíveis crimes de guerra supostamente cometidos pelas forças russas no país, mas o presidente do órgão, Erik Mose, disse que ainda é cedo para tirar conclusões.

Em Bruxelas, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, pediu nesta quarta-feira aos países ocidentais que mantenham o compromisso com a Ucrânia e enviem as armas que Kiev solicita com veemência para resistir à invasão russa.

Quase 50 ministros de Defesa, incluindo o ucraniano Oleksiy Reznikov, participaram do encontro paralelo a uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Não podemos nos dar o luxo de cruzar os braços e não podemos perder força. O que está em jogo é muito grande. A Ucrânia enfrenta um momento crucial no campo de batalha”, acrescentou.

O principal tópico de discussão é como atender à demanda por armas pesadas e em maiores quantidades para responder ao avanço russo sobre o Donbass. “Bruxelas, esperamos uma decisão”, tuitou Myjailo Podoliak, assessor da presidência ucraniana.

A Ucrânia resiste à invasão com apoio econômico e militar ocidental, mas pede o envio de armas pesadas e em maior quantidade para conter o avanço russo no Donbass.

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– ‘Situação muito crítica’ –

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, destacou a “necessidade urgente” de aumentar as entregas de armas modernas à Ucrânia. No entanto, alertou que será preciso tempo para estrear as forças ucranianas no uso desse novo armamento.

“É um fato que, com a transição das armas da era soviética para as armas mais modernas da Otan, também precisaremos de um pouco de tempo para que os ucranianos estejam prontos para usar e operar esses sistemas”, apontou em coletiva de imprensa.

A Rússia, por sua vez, tenta interceptar as entregas de armas ocidentais e anuncia periodicamente que destruiu carregamentos fornecidos pela Otan.

– Apoio da China à Rússia –

O presidente chinês Xi Jinping garantiu nesta quarta-feira ao russo Vladimir Putin o apoio de Pequim em questões de “soberania” e “segurança” durante uma conversa por telefone. 

“A China está disposta a continuar o apoio mútuo com a Rússia em questões de soberania, segurança e outras questões de interesse fundamental e preocupações importantes”, disse Xi, segundo um comunicado da agência oficial de notícias Xinhua.

A transcrição da conversa não cita exemplos específicos, como Ucrânia ou Taiwan.

O Kremlin, por sua vez, informou que os dois líderes concordaram em “expandir a cooperação nos campos de energia, financeiro, industrial, transporte e outros, levando em conta a situação econômica global que foi prejudicada por sanções ocidentais ilegítimas”.

“O alinhamento da China à Rússia nos preocupa”, indicou um porta-voz da diplomacia americana, que não quis ser identificado. “A China diz ser neutra, mas seu comportamento deixa claro que ainda investe em laços estreitos com a Rússia. Os países que escolhem o lado de Vladimir Putin irão se situar, inevitavelmente, no lado errado da História”, advertiu.

Diante das sanções ocidentais, a gigante russa de hidrocarbonetos Gazprom anunciou nesta quarta-feira uma nova redução em suas entregas de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream, argumentando que foi forçada a paralisar equipamentos da fabricante alemã Siemens.

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A redução do fluxo por esse gasoduto submarino que leva gás da Rússia à Alemanha pelo mar Báltico chega a 60% em dois dias.

A Alemanha considerou, no entanto, que a Gazprom buscava com essas medidas “aumentar o preço do gás”.

– Bombardeios constantes –

Autoridades ucranianas admitiram que perderam o controle do centro de Severodonetsk, no Donbass, uma região já controlada em grande parte por separatistas pró-russos desde 2014.

Segundo o prefeito de Severodonetsk, Oleksandre Striuk, uma parte das tropas ucranianas está entrincheirada -com mais de 500 civis- em Azot, uma enorme planta química dessa cidade, que tinha 100.000 habitantes antes da guerra.

A Rússia acusou a Ucrânia de ter impedido a criação de um “corredor humanitário” para evacuar os civis dessa instalação. “Autoridades de Kiev fizeram fracassar cinicamente a operação humanitária”, afirmou o Ministério da Defesa russo.

A presidência ucraniana confirmou que os ataques russos contra Severodonetsk e a vizinha Lysychansk continuavam, sem dar mais detalhes. Até agora, Kiev desmente que suas tropas estejam cercadas.

Assim como Severodonetsk, Lysychansk está praticamente vazia de habitantes e sem eletricidade. “Os russos bombardeiam constantemente o centro da cidade”, disse à AFP um polícia. 

– ‘Sinais políticos claros’ –

Kiev espera uma decisão antes de 24 de junho sobre sua solicitação de ser aceita como candidato oficial à adesão à União Europeia (UE), o que supõe o início de um processo e negociação que pode durar anos.

Segundo meios de comunicação alemães, o presidente francês Emmanuel Macron, cujo país exerce a presidência semestral da UE, visitará Kiev na quinta-feira ao lado dos chefes de governo da Alemanha, Olaf Scholz, e da Itália, Mario Draghi.

Esta será a primeira visita dos dirigentes das três principais economias europeias desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro.

“Creio que estamos em um momento no qual necessitamos enviar sinais políticas claros, como União Europeia, para a Ucrânia e o povo ucraniano, que está resistindo heroicamente há vários meses”, disse Macron durante uma visita a uma base da Otan na Romênia. 

“EBC”

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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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