Segundo o jornal britânico The Guardian, o espião era dono de uma empresa de impressão 3D que produzia, entre outras coisas, esculturas de resina e chaveiro para militares brasileiros

Espião russo se passou por brasileiro, morou no Rio de Janeiro e abandonou namorada para fugir

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Mais um caso de espião russo que se passava por brasileiro foi confirmado nesta semana. Gerhard Daniel Campos Wittich, morador do Rio de Janeiro há pelo menos cinco anos, que se dizia brasileiro de família austríaca, é um “suposto espião russo”, de sobrenome Shmyrev, afirmou o jornal britânico The Guardian.

Ele teria simulado desaparecimento em janeiro e já estaria de volta a Moscou, junto com sua mulher Maria Tsalla ou Irina Romanova, que teria morado como espiã em Atenas, na Grécia. Os dois teriam deixado namorados locais para trás.

O caso de ambos foi revelado por veículos gregos como Zougla e Kathimerini, e foi aprofundado pelo The Guardian com detalhes como o recente aluguel de um imóvel próximo ao consulado americano no Rio.

Segundo o Guardian, o espião russo dirigia uma série de empresas de impressão 3D no Rio de Janeiro que produziam, entre outras coisas, esculturas de resina para militares brasileiros e chaveiros. Ele desapareceu em janeiro, no meio de uma viagem à Malásia. Sem mandar mensagens para sua namorada no Rio de Janeiro, ela prontamente iniciou uma “busca frenética por seu parceiro desaparecido”, afirma o Guardian.

O Itamaraty e as comunidades do Facebook na Malásia se mobilizaram para procurar o desaparecido. Mas Campos Wittich teria reaparecido em Atenas, na Grécia.

A mídia grega, citando fontes do serviço de inteligência do país, ele era um russo “ilegal”, um espião infiltrado trabalhando para um programa de inteligência de elite, que havia sido treinado durante anos na Rússia para poder se passar por um estrangeiro.

Ele teria sido casado secretamente com outra ilegal, que se fazia passar por uma fotógrafa greco-mexicana chamada Maria Tsalla, que dirigia uma loja de artigos de tricô em Atenas. Ambos haviam sido despachados em uma missão de décadas para servir os serviços de inteligência de Vladimir Putin.

Pelo menos seis desses supostos ilegais foram desmascarados em vários locais no ano passado, sugerindo que pode haver um ou mais desertores passando informações para o ocidente, segundo revelou o Guardian.

Analistas acreditam que a inteligência russa pode estar usando mais de seus espiões ilegais, expondo-os a riscos adicionais, porque muitos de seus espiões “legais” baseados em Embaixadas russas foram expulsos durante a guerra na Ucrânia.

 

Espiões disfarçados costumam trabalhar em pares, como casais, mas o caso de Campos Wittich e Tsalla é o primeiro exemplo de um casal ilegal trabalhando em países separados, com vidas separadas, afirmou o The Guardian.

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“Temos poucas dúvidas de que eles eram casados”, disse a autoridade grega ao The Guardian, acrescentando que se tratava de um caso incomum. Ele afirmou que a dupla planejou encontros na Grécia, Chipre e França nos últimos tempos, possivelmente encontros românticos misturados com espionagem.

Em dezembro, autoridades eslovenas prenderam um casal se passando por argentinos, que administravam uma galeria de arte online em Ljubljana. Fontes disseram ao Guardian que eles eram oficiais do serviço de inteligência estrangeiro SVR da Rússia e acreditam que eles operavam em toda a Europa.

“Não tínhamos nenhuma evidência de que ela fazia espionagem na Grécia; a única coisa ilegal pela qual ela poderia ser acusada era o uso de documentos falsos”, disse a fonte do The Guardian. No entanto, ela viajou muito e os serviços de inteligência em toda a Europa estão investigando seus movimentos.

Dos dois, foi Campos Wittich quem mais fez contatos em círculos que poderiam ser interessantes para a inteligência russa. Ele morou no Rio de Janeiro por pelo menos cinco anos e sua empresa de impressão 3D tinha instalações militares e agências governamentais entre seus clientes.

Uma dessas criações, de uma cobra verde fumando cachimbo e disparando dois revólveres, foi encomendada pelo 1º Batalhão da Polícia do Exército como uma homenagem aos esforços do Brasil na 2ª Guerra.

Na época de seu desaparecimento, Campos Wittich estava fazendo os últimos pagamentos de uma nova sede que havia adquirido para a firma no centro do Rio. Ele ficava em um prédio comercial a menos de 50 metros do consulado dos EUA.

Enquanto se preparava para pagar a última parcela das reformas, teria chegado a ligação para que ele fugisse, em meio a temores de que as prisões na Eslovênia possam ter comprometido outros ilegais.

Outros casos de espiões russos no Brasil

Dois nomes de supostos brasileiros ganharam notoriedade entre as autoridades de segurança nacional do Ocidente nos últimos 12 meses: Victor Muller Ferreira e José Assis Gianmaria. Ambos nomes apareceram em investigações e logo foram descobertos como falsos para esconder a identidade de espiões da Rússia. Na verdade, os homens por trás desses nomes são, respectivamente, Serguei Cherkasov Mikhail Mikushin, que atuavam para levar informações de outros países ao Kremlin.

Uma possível razão para escolherem a cidadania brasileira, segundo informações do Washington Post, são vulnerabilidades nos sistemas nacionais de imigração e registros cartoriais e ajuda interna obtida mediante suborno.

Serguei Cherkasov foi preso no início de abril de 2022 pela Polícia Federal após a polícia holandesa interceptá-lo no aeroporto, onde desembarcou para atuar no Tribunal Penal Internacional, e enviá-lo de volta ao Brasil. Ele atuou durante anos como espião do serviço de inteligência militar da Rússia, o GRU, nos Estados Unidos, fingindo ser um estudante brasileiro.

Como Victor Muller Ferreira, Sergei fez graduação na Universidade John Hopkins, em Washington, a capital americana, onde poderia se aproximar de qualquer setor do establishment de segurança dos Estados Unidos, do Departamento de Estado à CIA. Segundo um depoimento registrado pelo FBI, o acesso que obteve possibilitou que o espião colhesse informações a respeito das maneiras com que as autoridades do governo Biden responderam à concentração de tropas russas nas proximidades da Ucrânia, pouco antes da invasão.

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Depois que se formou na faculdade, Cherkasov chegou perto de alcançar uma inserção mais influente, ao ser convidado para ocupar uma posição no TPI, em Haia. Ele estava prestes a iniciar um estágio de seis meses na corte, no ano passado, no momento em que a instituição iniciava a investigação sobre crimes de guerra da Rússia na Ucrânia, mas acabou rejeitado pelas autoridades holandesas, que receberam informações do FBI sobre a atuação dele em Washington.

O espião segue preso no Brasil e é investigado por atos de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção. Em junho do ano passado, ele foi condenado, em primeira instância, a 15 anos de prisão pela Justiça Federal por uso de documentos brasileiros falsos. No dia 18 deste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou o pedido da Rússia para extradição, mas determinou que isso só deve ocorrer após o fim das apurações sobre os supostos crimes cometidos no País. O chanceler russo, Serguei Lavrov, tem viagem marcada para o Brasil no fim de abril, o que levanta a possibilidade de Moscou tentar encontrar uma maneira de garantir sua libertação.

Mikhail Mikushin foi preso pela polícia da Noruega em outubro do ano passado após fingir ser pesquisador brasileiro em uma universidade do país. Ele foi detido por suspeita de espionagem, mas as supostas ações dele ainda eram desconhecidas no momento da prisão.

Antes de ser preso, Mikushin estava atuando como pesquisador há cerca de um ano e meio na cidade de Tromso, localizada perto do Ártico, há cerca de um ano e meio. Ele se concentrou em estudar a política norueguesa na região, na qual o país compartilha 198 quilômetros de fronteira com a Rússia, e ameaças híbridas. Segundo Thomas Blom, autoridade do serviço de inteligência norueguês, esse fato por si só pode comprometer a segurança nacional por colocá-lo em contato com pesquisadores que fornecerem informações às autoridades para a formulação de políticas públicas.

Segundo os investigadores, Mikushin procurou criar uma rede de contatos, lançar canais de informação e entrar nos círculos que lidam com informações confidenciais.

Antes de se mudar para a Noruega, Mikhail Mikushin morou no Canadá, onde frequentou a Carleton University e a University of Calgary. Em Ottawa, ele se ofereceu como voluntário para uma campanha política, de acordo com a Global News. Ele obteve o mestrado no Centro de Estudos Militares, de Segurança e Estratégicos da Universidade de Calgary em 2018. 

“Estadão”

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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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