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Depois da Rússia, é a vez de a China sentir os reveses da guerra da Ucrânia

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A invasão da Ucrânia causou a maior mudança geopolítica mundial em décadas, e seus efeitos ainda estão se espalhando. Principal aliada de Putin e maior rival dos EUA, a China também enfrenta reveses em sua tentativa de expandir sua área de influência. O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, acaba de passar por um grande constrangimento em seu giro por oito pequenos países insulares do Pacífico – Fiji, Samoa, Tonga, Kiribati, Vanuatu, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão e Niue. O objetivo era obter um acordo de segurança que garantisse a hegemonia chinesa no Pacífico Sul, confrontando os EUA. Obteve o resultado inverso, ao ter o pedido negado e sair de mãos abanando.

A China apoiou a invasão da Ucrânia porque enxergava nela uma forma de conter a influência dos EUA. De quebra, sinalizaria que suas pretensões para anexar Taiwan são reais e podem levar a ações armadas no futuro. O gigante asiático também quer sair das cordas diante da ofensiva diplomática e comercial dos EUA, que pretende manter o seu poder na região. Joe Biden acaba de fazer uma visita à Coreia do Sul e ao Japão, relançando as bases de acordos multilaterais no Pacífico que excluem a presença chinesa.

Apesar de seu poder econômico extraordinário, o soft power chinês está em crise. Iniciativas como a nova Rota da Seda ou a promoção de infraestrutura e agricultura na África e na América Latina não conseguiram se converter em mais poder de fato. Mas não é só isso.

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Buscando sua perpetuação, Xi Jinping ampliou o poder do PC sobre o mercado e a sociedade e impôs limites a indústrias vitais, como as big techs e o setor imobiliário. Isso causou perdas trilionárias e afetou as bolsas locais, afastando investidores. Após décadas de encanto com as reformas liberais, o país agora é visto com desconfiança. A ideologização crescente e o recrudescimento da ditadura podem estar mostrando finalmente os limites do capitalismo de Estado.

A Índia, que se recusou a se alinhar com o Ocidente na guerra da Ucrânia, é um rival histórico dos chineses e impediu que a aliança Rússia-China se expandisse. Da mesma forma, a Austrália renovou seus laços com os EUA. O Japão, assim como a Alemanha, está se rearmando, abandonando uma política desarmamentista que vigorava desde a Segunda Guerra. Países do sudeste asiático, como o Vietnã, fazem questão de manter as ligações com os EUA. E a própria Coreia do Sul está pedindo a volta das armas nucleares americanas para se contrapor à ameaça do seu vizinho comunista do norte, mantido pela China.

A China pode ameaçar os EUA e Taiwan com voos de bombardeiros de armas nucleares, como fez na última semana, mas não tem força para se impor na região. O fiasco russo na Ucrânia deve servir de alerta para que o país não se aventure em Taiwan, pelo menos no curto prazo. Já Vladimir Putin sofrerá as consequências de sua aventura militar por muitos anos.

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Os europeus chegaram a um acordo na última segunda-feira, 30/5, para bloquear as importações de óleo russo. É um acordo histórico. A União Europeia sempre foi criticada por não ter força diplomática e de não conseguir se impor economicamente por ser muito diversa e exigir consenso para decisões estratégicas. Até isso Putin conseguiu mudar.

Os 27 países vão cortar o financiamento da máquina de guerra russo, abastecida pelo petróleo. Aceitaram liberar a importação feita pela Hungria de Viktor Orbán, o único aliado de Putin no continente. Ao invés de isso significar uma vitória para o ditador de Moscou, revelou que os europeus conseguiram isolar o único líder autocrata no seu território (80% do gás da Hungria vem da Rússia, assim como mais da metade do seu petróleo). Economicamente, a Europa conseguiu selar seu divórcio da Rússia. E o país de Putin vai ampliar seu declínio econômico, o que tende a se agravar no futuro.

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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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