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Casos de estupros coletivos por soldados russos se multiplicam na Ucrânia

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A invasão russa na Ucrânia tem deixado um rastro de agressões à população civil. A cada dia, surgem denúncias de novos casos de estupro e tortura no país, principalmente em áreas que foram ocupadas pelas forças de Moscou. Desde a retirada das tropas da região de Kiev, centenas de casos já foram registrados, de acordo com informações do presidente Volodymyr Zelensky.

[Os depoimentos podem chocar pessoas sensíveis]

Dos enviados especiais a Kiev, Clea Broadhurst e Jad El Khoury, com AFP

Com o passaporte cazaque na mão, Konstantin conseguiu atravessar os postos de controle russos de algumas cidades sitiadas ao redor da capital Kiev. Desta forma, ele conseguiu retirar mais de 200 pessoas de sete vilarejos diferentes. Soluçando, ele contou aos enviados especiais da RFI histórias que ficarão gravadas em sua memória. É o caso de uma jovem que conseguiu se esconder em seu carro, quando ele parou na frente de sua casa.

“Eu vi seus olhos, seu olhar, ela estava tão exausta. Ela só me disse duas palavras: ‘Salve-me’. Ela não era alta e tinha 15 anos”, relata. “Ela me disse que havia sido prisioneira em um porão, onde jazia o cadáver de sua mãe, assassinada diante de seus olhos. Soldados russos a estupravam todos os dias, e eles eram muitos. E quando ela desmaiava, eles jogavam água fria em seu rosto e continuavam a estuprá-la. Os soldados disseram-lhe que ela não daria à luz um bebê ucraniano porque, depois disso, ela nunca mais iria querer dormir com um homem novamente.”

Homens também são vítimas

Konstantin também relata o estupro coletivo de dois homens de Donetsk, no sul da Ucrânia. Eles haviam deixado a região durante o conflito, em 2014. Seus nomes constavam em uma lista e os soldados russos os encontraram.

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“Um deles tinha 22 anos e o outro, 26. Eles foram estuprados porque os russos lhes disseram que eram traidores porque haviam deixado a sua pátria para se juntar aos nacionalistas. E por isso, deveriam de ser punidos”, relata Konstantin. “O mais novo dos dois era apenas um adolescente, não foi ele quem decidiu deixar Donetsk. Mas os russos entenderam que ele era o responsável. Eles o violentaram ainda mais”, diz.

Casos como estes acabam sendo relatados também aos profissionais de saúde. Aliona Krivouliak é psicóloga da Strada, uma organização ucraniana de direitos humanos. Ela explica que desde o início da guerra, estava preparada para receber esse tipo de testemunho.

“O primeiro relato que recebemos foi em 4 de março, em Kherson. Uma mulher nos contou que ela e sua filha haviam sido estupradas, uma na frente da outra, por soldados russos. Em 2014, já tínhamos tido este tipo de testemunho durante o conflito no Donbass. Sabíamos que novos casos iriam ocorrer agora”, indica a psicóloga.

“É difícil imaginar a verdadeira extensão de tais crimes em Mariupol, por exemplo. E não temos dúvida de que há ainda mais casos na região de Kiev”, completa.

Segundo a psicóloga, as vítimas ainda não estão prontas para falar sobre o que aconteceu com elas. Mas observa que cada vez mais os homens e mulheres agredidos querem testemunhar.

Possíveis crimes de guerra

A ONU acusou nesta sexta-feira (22) o exército russo de ações que “poderiam constituir crimes de guerra” na Ucrânia, após a invasão iniciada em 24 de fevereiro, incluindo bombardeios indiscriminados que provocaram as mortes de civis e a destruição de escolas e hospitais.

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“As Forças Armadas russas bombardearam de maneira indiscriminada zonas residenciais, mataram civis e destruíram hospitais, escolas e outras infraestruturas civis, em ações que poderiam constituir crimes de guerra”, declarou Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que tem sede em Genebra.

“Cabe a um tribunal determinar concretamente se isto aconteceu, mas cada vez há mais evidências de que foram cometidos crimes de guerra”, completou a porta-voz.

Em um comunicado divulgado de modo paralelo, Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, afirmou que “durante as últimas oito semanas, o direito humanitário internacional não apenas foi ignorado, mas foi jogado ao mar”. “O que observamos em Kramatorsk (leste da Ucrânia) em 8 de abril, quando a estação de trem foi atacada com munições de fragmentação e 60 civis morreram e outros 111 ficaram feridos, é emblemático da incapacidade de respeitar o princípio da distinção (entre civis e militares), a proibição de perpetrar ataques indiscriminados e o princípio da precaução, que é parte do direito humanitário internacional”, destacou Bachelet, em uma acusação indireta à Rússia.

Shamdasani não descartou que o lado ucraniano também tenha violado o direito humanitário, mas a “maioria das violações, de longe, é atribuída às forças russas”. A porta-voz disse que 92,3% das vítimas que as equipes do Alto Comissariado conseguiram documentar “são atribuídas às forças russas, assim como as acusações de assassinato e de execuções sumárias”.

“Durante uma missão em Bucha, em 9 de abril, os investigadores de direitos humanos da ONU documentaram os assassinatos, alguns deles execuções sumárias, de 50 civis na cidade de Bucha”, perto de Kiev.

“MSN”
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Chefe da União Europeia tem GPS de avião bloqueado e Rússia é suspeita

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Líder do bloco pousou em segurança ma Bulgária; pilotos tiveram que usar mapas de papel para achar lugar da aterrissagem

Ivana Kottasová, da CNN
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem GPS de avião bloqueado  • Reprodução/Reuters

Um avião que transportava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi alvo de interferência no sistema de navegação GPS, enquanto tentava pousar na Bulgária no domingo (31), informou um porta-voz da comissão à CNN.

A comitiva recebeu “informações das autoridades búlgaras de que suspeitam que essa interferência flagrante tenha sido realizada pela Rússia”, disse o porta-voz.

O avião pousou em segurança, disse o porta-voz. Uma fonte familiarizada com a situação disse à CNN que os pilotos pousaram o avião usando mapas de papel.

Von der Leyen e a comissão têm sido firmes apoiadores da Ucrânia enquanto Kiev tenta se defender da agressão não provocada da Rússia. Ela foi uma das líderes europeias que participaram da cúpula do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Ucrânia na semana passada e tem instado consistentemente os Estados-membros da UE a alocarem mais recursos para ajudar a Ucrânia.

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O incidente ocorreu enquanto ela visitava os Estados-membros na parte oriental do bloco para angariar apoio à Ucrânia. “Este incidente ressalta a urgência da atual viagem da presidente aos Estados-membros da linha de frente, onde ela viu em primeira mão as ameaças diárias da Rússia e seus representantes”, disse o porta-voz da comissão à CNN.

A CNN entrou em contato com as autoridades búlgaras para obter comentários e solicitou que a Rússia comentasse as alegações.

A interferência do GPS que causa interrupções em voos e tráfego marítimo está há muito tempo entre as ferramentas do arsenal de guerra híbrida da Rússia.

Autoridades dos países escandinavos e bálticos têm afirmado repetidamente que a Rússia vem bloqueando regularmente o sinal de GPS na região. Após uma equipe de pesquisadores na Polônia e na Alemanha estudarem minuciosamente as interferências de GPS por um período de seis meses a partir de junho de 2024, eles também concluíram que a Rússia era a responsável, e que Moscou estava usando uma frota paralela de navios e seu enclave de Kaliningrado para isso.

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A União Europeia já havia sancionado diversas entidades e indivíduos ligados a Estados russos por estarem por trás de incidentes de interferência.

“Isso reforçará ainda mais nosso compromisso inabalável de aumentar nossas capacidades de defesa e o apoio à Ucrânia”, acrescentou o porta-voz.

A viagem à Bulgária fez parte da visita de von der Leyen a vários Estados da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e o Mar Negro.

A viagem teve como objetivo mostrar força e união enquanto a Rússia continua atacando cidades ucranianas e sabotando qualquer tentativa de chegar a um acordo de cessar-fogo.

A presidente visitou a Letônia e a Finlândia na sexta-feira (29), a Estônia no sábado e a Polônia e a Bulgária no domingo. Ela completou a viagem na segunda-feira (1º), visitando a Lituânia e a Romênia.

Em discurso na capital búlgara logo após o incidente aéreo, mas antes que se tornasse público, von der Leyen disse que a Europa precisava “manter o senso de urgência”.

“(O presidente russo Vladimir) Putin não mudou e não mudará. Ele é um predador. Ele só pode ser controlado por meio de uma forte dissuasão”, disse ela.

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