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Hamas entrega cinco reféns israelenses após semana de crise em acordo de cessar-fogo

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Tal Shoham e Aversa Mengisto foram os primeiros de uma leva de prisioneiros que devem ser libertos pelo grupo palestino neste final de semana

O Hamas entregou a Israel cinco reféns na manhã deste sábado (22/2).

Tal Shoham, 40, e a Aversa Mengisto, 39, foram os primeiros de uma leva de reféns que devem ser libertos pelo grupo palestino neste final de semana.

Eles foram entregues em Rafah, no sul de Gaza, à Cruz Vermelha para serem levados a Israel.

Os dois reféns libertados cruzaram para Israel por volta das 9h da manhã no horário local (5h no horário de Brasília), informaram as Forças de Defesa de Israel (IDF).

O terceiro refém entregue foi Eliya Cohen. Em seguida, Omer Shem Tov e Omer Wenkert também foram entregues à Cruz Vermelha.

A segunda leve de reféns foi feita em Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza.

A expectativa era que o Hamas libertasse seis reféns. Mas uma atualização da mídia local informou que apenas mais três reféns seriam libertos neste sábado, após a liberação de Shoham e Mengisto.

O quarto refém que seria liberto, Hisham al-Sayed, será entregue sem uma cerimônia pública, segundo a imprensa local.

Em Tel Aviv, pessoas saíram às ruas e aplaudiram o momento em que Avera Mengistu e Tal Shoham eram libertados. Eles já estão de volta a Israel, segundo o IDF.

Israel também deve libertar 602 prisioneiros palestinos hoje, à medida que a primeira fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas – que entrou em vigor em 19 de janeiro – se aproxima do fim.

O retorno ocorre ao fim de uma semana em que o cessar-fogo em curso no conflito entre Israel e Hamas esteve em crise, depois que Israel afirmou que um corpo devolvido pelo Hamas no início desta semana não era o de Shiri Bibas, uma mãe de duas crianças.

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A família de Shiri, no entanto, disse que outro corpo entregue pelo Hamas na sexta-feira (21/2) é o dela.

Quem são os reféns

Dos seis reféns vivos que devem ser libertados hoje, quatro foram capturados durante o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Os outros dois estão detidos em Gaza há uma década.

Os seis são:

Avera Mengistu: Etíope-israelense, foi capturado pelo Hamas em 2014 e entregue neste sábado. Em janeiro, o Hamas divulgou um curto vídeo sem data de um homem que murmurava em hebraico: “Eu sou o cativo Avera Mengistu. Por quanto tempo mais permanecerei em cativeiro com meus amigos?”. A família Mengistu confirmou sua identidade, segundo a campanha Free Avera informou à BBC em 2023.

Tal Shoham: 40 anos. Foi sequestrado no Kibutz Be’eri e também liberto neste sábado. Sua esposa, Adi, seus dois filhos pequenos e sua sogra, a Shosham Haran, também foram capturados, mas libertados em novembro de 2023. O marido de Haran, Avshalom, foi morto no ataque de 7 de outubro.

Eliya Cohen: 27 anos. Ele e sua namorada inicialmente se esconderam dos atacantes do Hamas em 7 de outubro em um abrigo, mas ele foi descoberto e levado. Em junho, o Hamas divulgou imagens mostrando o momento em que Eliya e outros foram feitos prisioneiros.

Omer Shem Tov: 22 anos. Ele conseguiu fugir de carro, mas foi capturado ao tentar resgatar seus amigos, Maya e Itai Regev. Os três foram levados como reféns – os irmãos Regev foram libertados em novembro de 2023, mas disseram que estiveram com Omer no cativeiro.

Omer Wenkert: Gerente de restaurante, 23 anos. Ele enviou uma mensagem à família dizendo que iria para um abrigo seguro, mas depois perdeu contato. Sua família afirma ter visto imagens do Hamas mostrando Omer, incluindo uma foto dele algemado e vestindo apenas roupas íntimas.

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Hisham al-Sayed: Um árabe israelense beduíno que está detido em Gaza desde 2015. O Hamas afirma que ele e Avera Mengistu são soldados, mas documentos israelenses vistos pela Human Rights Watch mostram que ambos são civis isentos do serviço militar. Ambos cruzaram para Gaza por conta própria. Em junho de 2022, o Hamas divulgou um vídeo mostrando al-Sayed no cativeiro.

A entrega dos reféns é altamente coordenada para a Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Tudo começa com um telefonema informando a localização. Assim que os detalhes são recebidos, uma equipe da Cruz Vermelha parte em veículos marcados com o logotipo da organização humanitária para buscar os reféns em Gaza.

Militares e profissionais de saúde israelenses também são posicionados em vários locais diferentes, aguardando para levá-los para casa.

“Isso é mais do que apenas uma viagem”, diz a porta-voz do CICV, Sarah Davies.

“Essas operações podem parecer simples, mas, na verdade, são muito complexas e exigem rigorosas medidas de segurança para minimizar os riscos para aqueles envolvidos.”

O CICV, que atua como intermediário neutro na entrega dos reféns, reúne uma equipe de especialistas, alguns dos quais já participaram de operações semelhantes no passado – embora esta seja mais desafiadora do que a maioria.

Há detalhes que o grupo não pode divulgar publicamente devido a preocupações de que isso possa comprometer a segurança da operação.

Davies diz que a equipe mapeou rotas alternativas para chegar a diferentes locais em Gaza, sabendo que a “rota mais segura pode mudar” a qualquer momento.

Entre as maiores preocupações estão os perigos representados por explosivos não detonados, a infraestrutura destruída ou danificada e grandes multidões com “emoções à flor da pele”.

“CB”

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O que é instalação de Ras Laffan e como ataque do Irã pode prolongar crise?

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Mísseis iranianos atingem instalações em Ras Laffan, interrompendo exportações e pressionando preços internacionais de energia

Em menos de 12 horas, mísseis iranianos atingiram duas vezes a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, causando “danos extensos” a esse importante centro de energia do país. Mas o impacto deve se estender muito além do Oriente Médio.

Operada pela estatal QatarEnergy, Ras Laffan é considerada um dos hubs de gás natural liquefeito (GNL) mais importantes do mundo, reunindo instalações de transporte, processamento e porto.

O Catar responde por cerca de 20% do fornecimento global de GNL – o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos –, com quase todo o gás saindo de Ras Laffan.

A produção de GNL e outros derivados está suspensa desde o início de março, devido ao fechamento efetivo da estratégica rota de navegação do Estreito de Ormuz.

Os danos significativos às instalações podem atrasar ainda mais a retomada das operações.

Alguns países do sul da Ásia, como Paquistão, Bangladesh e Índia, devem ser os mais afetados, já que dependem do Catar para mais da metade de suas importações de GNL e têm estoques limitados. Mas Ras Laffan também abastece outras partes da Ásia, além de países da Europa e da África, que terão que lidar com possíveis interrupções no fornecimento.

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Além do GNL, Ras Laffan produz fertilizantes, como ureia e amônia – essenciais para a agricultura – além de enxofre e hélio, gás fundamental na fabricação de chips de computador.

Segundo a QatarEnergy, o hub responde por cerca de 25% da produção mundial de hélio.

A cidade industrial de Ras Laffan fica na ponta nordeste da península do Catar, cerca de 80 quilômetros ao norte de Doha.

O gás processado ali vem de uma grande reserva no Golfo Pérsico compartilhada com o Irã – conhecida como campo North Dome no Catar e South Pars no Irã

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