Educação

Turma pioneira no novo ensino médio supera barreiras e conclui curso

Projeto é desenvolvido em parceria pelo Sesi e o Senai

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Por Danilo Macedo

Alunos bolsistas da primeira turma do novo ensino médio, no projeto implementado em parceria pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), apresentam bons resultados nos estudos e no mercado de trabalho. Além de alguns terem recebido notas entre as mais altas na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que, mesmo com as adversidades intensificadas pela pandemia de covid-19, que levou à suspensão das aulas e elevou a taxa de desemprego entre os jovens, muitos conseguiram superar as dificuldades, concluir a última etapa escolar e dar os primeiros passos profissionais.

Ao todo, 198 estudantes de cinco estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo e Goiás) concluíram o curso em dezembro do ano passado, dentro do programa de formação técnica e profissional, recebendo o certificado de conclusão do ensino médio e também o diploma de técnico em eletrotécnica. Entre os alunos da primeira turma, iniciada em 2018, 81,5% vieram de escolas públicas, 87% são da classe D e 13% são da classe C. De acordo com o Sesi e o Senai, o curso de eletrotécnica foi escolhido para a turma piloto por ser uma ocupação transversal, abrangendo atividades de manutenção, projeto e execução tanto elétrica quanto eletrônica.

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As escolas de todo o país têm até 2022 para implementar o novo modelo. Porém, por causa da pandemia, as redes de ensino relatam dificuldades para implementar os novos currículos. O chamado novo ensino médio pretende aproximar os conhecimentos aprendidos em sala com a realidade dos estudantes e permitir que eles escolham áreas de estudo com as quais tenham mais afinidade. Para isso, a formação tem uma parte do currículo comum e outra direcionada a uma área técnica, escolhida pelo aluno, com ênfase em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico.

“Além de se preparem para a faculdade e o mercado de trabalho, os jovens relatam desenvolvimento pessoal, já que o novo método de ensino tem abordagem interdisciplinar e incentiva trabalhos em grupo, o autoconhecimento e o protagonismo na construção de um projeto de vida e de carreira”, destaca a CNI. Segundo a entidade, o projeto já foi ampliado para 23 estados (RS, MG, SP e RJ estão em fase de adequação) e conta com cerca de 10,4 mil alunos. Atualmente, além de eletrotécnica, oferece mais 19 opções de cursos técnicos.

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Ao longo dos três anos de curso, os estudantes recebem até 1.800 horas de aulas dedicadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelo menos mais 1.200 horas dedicadas aos programas de formação de livre escolha. Segundo a CNI, entre os alunos da primeira turma formada, há profissionais prestando serviços de manutenção e instalação elétrica em grandes empresas, banco, imóveis residenciais, escritório de arquitetura, obras de construção, entre outros. Muitos deles aguardam agora, com expectativa, o resultado da primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece mais de 209,1 mil vagas em cursos de graduação de 110 universidades públicas.

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Educação

Prefeitura proíbe uso de celulares em sala de aula e no recreio

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Por Vinicius Lisboa

A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou nesta sexta-feira (2) decreto que restringe o uso de celulares nas escolas da rede municipal. Segundo a publicação assinada pelo prefeito, Eduardo Paes, os dispositivos só poderão ser usados antes da primeira aula e após a última, à exceção de casos especiais.

O decreto já entrou em vigor, mas seus efeitos passam a valer após 30 dias, segundo o texto. A Secretaria Municipal de Educação ainda precisará editar ato normativo para regulamentar a medida.

Proibição no recreio

A proibição do uso de celulares vale para dentro de sala de aula e também os intervalos entre as aulas, incluindo o recreio. Apenas na Educação de Jovens e Adultos será permitido o uso de celulares nos intervalos.

O decreto orienta que os celulares e demais dispositivos eletrônicos deverão ser guardados na mochila ou bolsa do próprio aluno, desligado ou ligado em modo silencioso e sem vibração. Apesar disso, a publicação deixa margem para que a equipe da escola adote outra estratégia de preferência.

Caso haja desrespeito à proibição, o decreto autoriza os professores a advertir os alunos e cercear o uso dos dispositivos em sala de aula.

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Exceções

Apesar da proibição, os professores podem propor a utilização dos celulares e dispositivos eletrônicos para fins pedagógicos, como pesquisas, leituras ou acesso a outros materiais educativos.

Os alunos com deficiência ou com condições de saúde que necessitam destes dispositivos para monitoramento ou auxílio de sua necessidade também têm autorização para mantê-los em funcionamento na escola.

O uso também pode ser liberado quando a cidade estiver classificada nos estágios operacionais 3, 4 e 5 pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Isso ocorre em situações que causam impacto na rotina da cidade, como temporais que provocam alagamentos e incidentes graves de trânsito ou segurança pública.

Consulta pública

Antes de a prefeitura publicar o decreto, a Secretaria Municipal de Educação realizou uma consulta pública sobre a proibição, que contou com mais de 10 mil contribuições.

Segundo a secretaria, o resultado foi de 83% de respostas a favor, 6% contrárias e 11% parcialmente favoráveis.

Na época, o secretário municipal de educação, Renan Ferreirinha, destacou a relevância do resultado. “São números que mostram o grande interesse por essa discussão e o quanto a sociedade está consciente da importância e urgência que esse problema precisa ser enfrentado”.

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Apesar disso, especialistas ouvidos pela reportagem no lançamento da consulta pública avaliaram a proibição com ponderações. A pedagoga Rosemary dos Santos, pesquisadora da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), acredita que é mais importante trazer a discussão do uso desses dispositivos para a escola.

“O aluno vai usar em todos os lugares, menos na escola? Que lugar é esse da escola que abre mão de discutir o que é vivenciado por todo mundo? O uso excessivo não se dá porque o aluno usa o celular na escola, mas sim porque ele usa em todo lugar. As questões que emergem a partir desse uso precisam ser problematizadas em sala de aula. Não é o uso na escola que pode gerar depressão ou que pode levar o aluno a conteúdos inadequados. É o uso na sociedade. E a escola é um local adequado para essa discussão. Se o excesso de uso de tela gera problemas, a escola precisa discutir,” explicou.

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