ECONOMIA
Isenção para carros pode custar até R$ 990 mi, e governo discute compensação
ECONOMIA
O corte de tributos federais para incentivar a compra de automóveis até R$ 120 mil pode ter um custo de até R$ 990 milhões até o fim deste ano, segundo interlocutores do governo ouvidos pela reportagem.
Caso a duração do programa seja menor, de quatro meses, o custo ficaria em cerca de R$ 560 milhões, de acordo com estimativas preliminares.
Os números ainda estão sendo fechados e dependem do que o governo conseguir de medidas de compensação, para atender às exigências da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
A medida foi anunciada nesta quinta-feira (25) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Segundo ele, serão reduzidas as alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e PIS/Cofins.
Os atos, porém, ainda estão em fase de debate e elaboração. Nas discussões técnicas, há também tratativas para reduzir o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os financiamentos de veículos.
O IPI e o IOF são tributos regulatórios, o que significa que o governo pode cortar suas alíquotas sem necessidade de medida de compensação. Já a redução de PIS/Cofins demanda a apresentação simultânea de outra iniciativa para repor a arrecadação perdida.
Um dos cálculos apresentados pelo MDIC ao Ministério da Fazenda apontava um custo de R$ 819 milhões só com a redução na cobrança de IPI e IOF por sete meses -cerca de R$ 117 milhões ao mês.
Um grupo dentro do governo cita a possibilidade de o desconto recair apenas sobre esses dois tributos, dada a dificuldade de encontrar uma medida compensatória para o corte no PIS/Cofins. Outra ala, porém, diz que permanece a intenção de dar descontos também sobre PIS/Cofins, como anunciado.
Segundo um interlocutor da equipe econômica, o desenho das ações ainda está sendo finalizado e será “o possível” conforme o “valor disponível”.
O ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse, em entrevista à GloboNews, que o programa deve durar “três ou quatro meses”. O desejo inicial do MDIC era que o programa se estendesse até o fim do ano, mas a pasta está aberta a negociar um prazo menor.
A medida é vista como uma política anticíclica, capaz de ajudar a impulsionar a atividade econômica num momento de desaceleração.
Há inclusive o argumento de que o impulso às vendas pode reduzir o impacto para as contas. Como o desconto não é integral sobre os impostos, o MDIC calcula que o aumento na comercialização pode proporcionar um ganho de receita.
O cálculo foi feito como forma de apresentar um argumento favorável ao incentivo, embora essa projeção de receita não possa ser usada como compensação legal para efeito da LRF.
O pacote anunciado pelo governo quer reduzir o preço dos carros de entrada para menos de R$ 60 mil. Hoje, o modelo mais barato vendido no Brasil é o Renault Kwid na versão Zen, que custa R$ 69 mil.
Os descontos levarão em conta três fatores e poderão chegar a até 10,96% do valor do veículo: a produção nacional das partes, a eficiência energética e o preço do automóvel.
O Ministério da Fazenda tem um prazo de 15 dias para apresentar os detalhes do pacote, mas Haddad já indicou que pretende concluir as tratativas antes disso.
A esperança da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) é de que o pacote tenha duração de 12 meses, mas a Fazenda indicou que deve durar menos tempo.
“FOLHAPRESS”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


