ECONOMIA
Dólar abre em alta e atinge marca dos R$ 5 nesta terça (23)
ECONOMIA
Após um pregão de aversão a risco, o mercado financeiro abriu com uma leve alta nesta terça-feira (23), atingindo a marca psicológica dos R$ 5 para venda logo na abertura da sessão.
Às 9h03, o dólar subia 0,24%, cotado a R$ 5, com investidores monitorando com maior pessimismo a perspectiva fiscal do Brasil, de olho ainda nas expectativas sobre cortes de juros nos Estados Unidos.
Após o governo anunciar o pacote, o dólar acelerou a alta ante o real e fechou com ganhos de 1,20%, a R$ 4,9866, maior valor desde 31 de outubro, quando estava a R$ 5,04.
Na sessão, o real foi a moeda que mais se desvalorizou ante o dólar a nível global, em um pregão em que a moeda americana teve leve ganho de 0,05% ante as principais divisas, de acordo com dados da Bloomberg.
Já a Bolsa brasileira, que começou o dia estável, cedeu 0,81%, a 126.602 pontos.
Segundo o economista, há também uma preocupação com o impacto do fomento na inflação brasileira, o que poderia impactar o ciclo de redução da Selic. Economistas esperam que a taxa básica de juros caia a 9% ao fim deste ano, aponta a pesquisa Focus desta segunda. para o dólar, a previsão é que ele termine 2024 a R$ 4,92.
“O anúncio reforça as preocupações com o equilíbrio fiscal e mostra que o governo está disposto a gastar para sustentar o crescimento da economia”, afirma Thiago Pedroso, responsável pela mesa de renda variável da Criteria.
Parte dos recursos será arrecadado via títulos de dívida dos bancos púbicos, algo que não entra na conta do arcabouço fiscal.
Mesmo assim, o projeto pode ser mais negativo que positivo ao Brasil, diz Gabriel Leal de Barros, sócio e economista-chefe da Ryo Asset e ex-diretor da Ifi (Instituição Fiscal Independente) do Senado.
“A literatura internacional e experiência empírica do país mostram que estes programas não funcionam na sua grande maioria, sendo útil revisitar o fracasso em termos de alocação de capital na indústria naval, por exemplo”, afirma Leal de Barros.
O aumento da insegurança fez os contratos de juros futuros de longo prazo subirem. O contrato de DI para janeiro de 2026 foi de 9,8893% na sexta (19), para 9,9469% nesta segunda, segundo dados da Bloomberg. Já a precificação para o juro de 2030 foi de 10,5473% para 10,6113%.
“Há forte incerteza fiscal com relação à fonte de financiamento desse programa de governo, além das prováveis distorções futuras promovidas nos mercados afetados pela política industrial. A nova proposta parece uma reconfiguração da política falha dos Campeões Nacionais feita no governo Dilma, onde o favorecimento de determinadas empresas reverberou em dinâmicas inflacionárias insustentáveis”, afirma Yuri Alves, economista da Guide Investimentos.
Investidores também operaram à espera da decisão de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), desta quinta-feira (25), e da divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos antes da reunião do Fed (BC americano), no fim do mês. O principal deles é a inflação de dezembro, que sai nesta sexta (26).
Em meio a dados recentes mostrando uma economia americana robusta, agentes financeiros têm ajustados apostas sobre o começo e o tamanho de um bastante aguardado ciclo de cortes de juros pelo Fed. Muitos já avaliam que uma redução em março pode ser uma aposta muito otimista.
Há uma semana, 77% das apostas segundo a plataforma CME eram de um corte de 0,25 ponto percentual em março. Agora, elas são minoria, somando 40,5%.
O economista-chefe da Genial Investimentos, José Marcio Camargo, escreveu em relatório a clientes que a política monetária do Fed é “muito dependente dos dados e, desta forma, gera grande volatilidade nos preços dos ativos financeiros” conforme novas informações são divulgadas.
Isso tem afetado particularmente mercados emergentes, como o Brasil, que tendem a se beneficiar de perspectivas de juros mais baixos em economias como os Estados Unidos. Até sexta, o índice MSCI para mercado emergentes acumulava uma queda de 5,16% no mês.
Em Wall Street, os principais índices acionários subiram nesta segunda impulsionados pela corrida da IA (inteligência artificial) nas big techs e renovam suas pontuações máximas. O S&P 500 teve alta de 0,22% e o Dow Jones, de 0,36%, ambos renovando suas pontuações recordes. Já o Nasdaq subiu 0,32%, mas sem superar o seu pico de 2021.
“Folha”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


