Os resultados da sondagem realizada de 11 a 14 de setembro mostram que todos os 48 economistas questionados projetam queda dos juros básicos a 12,75% quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunir nas próximas terça e quarta-feiras
BC deve repetir corte de 0,50 p.p. na Selic em setembro com pouco espaço para acelerar ritmo em 2023, mostra pesquisa
ECONOMIA
O Banco Central deve repetir a dose de afrouxamento monetário promovida em agosto e cortar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual quando se reunir na semana que vem, com muitos economistas vendo pouco espaço para aceleração do ritmo de redução ao longo das próximas reuniões deste ano, mostrou uma pesquisa da Reuters.
Os resultados da sondagem realizada de 11 a 14 de setembro mostram que todos os 48 economistas questionados projetam queda dos juros básicos a 12,75% quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reunir nas próximas terça e quarta-feiras.
Se confirmado, será o segundo corte consecutivo de 0,50 ponto percentual da taxa básica, depois que o Banco Central afrouxou sua política monetária no início do mês passado pela primeira vez em três anos, numa decisão atipicamente dividida, citando melhora do quadro inflacionário e “reancoragem parcial” nas expectativas de alta dos preços.
Desde então, esse cenário parece ter se mantido, com o IPCA de agosto mostrando alta menor do que a esperada e as expectativas de inflação do boletim Focus se acomodando nas últimas semanas em patamares bem mais baixos do que os vistos no início deste ano.
No comunicado de política monetária de agosto e, depois, na ata da última reunião, o próprio BC sinalizou novos cortes de meio ponto na taxa de juros adiante, o que, segundo vários economistas, explica o consenso do mercado em torno da decisão de setembro do Copom.
“A gente está com a visão de que vai ter um corte de 50 pontos-base na próxima reunião muito pelo fato de que já foi telegrafado esse movimento, e todos os discursos dos membros do Banco Central foram justamente nessa direção, de manter esse ritmo pelo menos na próxima reunião”, disse Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset.
De fato, o próprio presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, chegou a dizer no mês passado que a barra estabelecida pelo colegiado para fazer algo diferente de cortes de 0,50 ponto percentual à frente é alta, mensagem que foi reforçada mais recentemente pela diretora da autarquia Fernanda Guardado.
Em meio a riscos de várias frentes, do ambiente de juros nas grandes economias e a disparada dos preços do petróleo à resiliência da economia doméstica, o mercado parece concordar.
“Um menor espaço para afrouxamento monetário nos países emergentes — num momento em que grande parte das economias desenvolvidas ainda está em processo de aperto monetário — recomenda cautela adicional na determinação da magnitude de corte de juros no Brasil”, disse à Reuters Lucas Farina, economista da Genial Investimentos.
Ele citou ainda o risco de uma depreciação acentuada do real caso o BC acelere o ritmo de corte de juros como um fator que provavelmente será considerado pelo Copom na hora de tomar uma decisão.
“Outro ponto que advoga contra a aceleração do ritmo de corte de juros é o fato de que alguns riscos de alta para a inflação, oriundos de algumas commodities, principalmente as commodities energéticas, ainda pairam no radar”, completou ele, num momento em que os preços do petróleo rondam os maiores patamares de 2023.
João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital, lembra ainda que “a inflação (brasileira) mostra uma dinâmica mais benigna na margem, mas o ritmo de crescimento da economia segue resiliente”, com a alta do Produto Interno Bruto (PIB) voltando a superar de forma impressionante as expectativas do mercado no segundo trimestre.
De 42 entrevistados que responderam a uma pergunta adicional, 37 esperam que a Selic encerre este ano em 11,75%, o que sugere quedas de 0,50 ponto percentual em cada uma das três últimas reuniões de 2023. Os respondentes restantes viram a taxa encerrando dezembro a 11,50%.
Para 2024, a expectativa mediana da sondagem é de que os juros encerrarão o ano a 9,00%.
“Reuters”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


