Escassez de contêineres e alta do frete são citados em levantamento
Antaq detalha impactos da pandemia no transporte marítimo
ECONOMIA
O medo causado pela covid-19 mudou muitos dos hábitos das pessoas. Entre eles, aumentou o de comprar via internet produtos estrangeiros, que têm como porta de entrada no mercado brasileiro os terminais portuários. Relatório divulgado hoje (28) pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostrou alguns dos impactos causados pela pandemia no transporte marítimo.

De acordo com a diretora da agência, Flávia Takafashi, no começo da pandemia, a infraestrutura do transporte marítimo brasileiro “não sentiu impacto direto”. Ela, no entanto, acrescenta que, no decorrer do tempo, “foi percebido aumento do valor do frete e falta de contêineres vazios para estufagem e rolagem de cargas nos portos brasileiros”,
Isso, segundo ela, causou um “efeito cascata para outras cobranças e serviços, como, por exemplo, o aumento de sobre-estadia de contêineres”. O levantamento citou também, entre os impactos observados, congestionamento de terminais e as chamadas omissões de escala – situação em que a empresa proprietária do navio decide desembarcar a mercadoria em um terminal portuário diferente do planejado.
O relatório, produzido por um grupo de trabalho criado pela Antaq em 2021, mostra que um dos primeiros reflexos a serem percebidos foi o congestionamento de caminhões nos acessos aos portos.
“Houve também fila de espera de navios; acúmulo de cargas nos pátios por conta do encerramento de operações; atrasos de embarques e desembarques; falta de mão-de-obra; e omissões de escala, que eram a programação do navio para determinado porto sendo cancelada por conta dos impactos da pandemia”, explicou Takafashi.
Problema mundial
Segundo o diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, “o problema foi mundial, mas o Brasil foi afetado, talvez, até menos do que outros países”. A expectativa da Antaq, ao produzir o relatório, foi a de identificar eventuais necessidades de reformulação regulatória do setor, de forma a amenizar os impactos negativos causados pela pandemia.
Na avaliação do diretor-geral, as constatações do levantamento já eram esperadas. “Os problemas [citados pelo relatório] já estavam no noticiário. Esse levantamento reuniu informações que já nos eram trazidas, mas reuniu evidências técnicas que materializaram as percepções que já se tinha”, disse ele ao informar que a Antaq já conta com medidas regulatórias suficientes para enfrentar os problemas descritos no relatório.
Omissão de escala
Nery, no entanto, não descartou a possibilidade de, no caso das omissões de escala, desenvolver “uma regulação mais refinada”, de forma a diminuir a falta de previsibilidade desse tipo de situação. “Esses dados são muito mais presentes do ponto de vista dos usuários [empresas que fazem uso de estruturas e serviços portuários]. Não é [uma questão] concorrencial. Mas, se provocados, avaliaremos e tomaremos as medidas necessárias”.
Ele lembrou que o levantamento foi feito em um “momento crítico, com os efeitos da pandemia ainda presentes”, e que, portanto, não se deve considerar esses números para estabelecer “eventuais restrições” para casos específicos.
O relatório da Antaq esclarece que, “em certa medida, as omissões de escalas são conhecidas como um fenômeno comum e necessário para a manutenção das programações das janelas de determinada rota de navegação”.
Ele acrescenta que, embora comuns, as omissões “sofreram aumentos expressivos nos últimos anos como reflexos advindos das políticas de lockdown implementadas por diversos países em resposta ao surgimento à pandemia; do aumento da demanda; e de questões estruturais que afetaram a logística de contêineres”.
Produtividade dos portos
Citando levantamentos produzidos por entidades estrangeiras, comparando dados do primeiro semestre de 2019 com dos primeiro e segundo semestres de 2021, Flávia Takafashi disse que houve queda na média de produtividade dos terminais portuários em muitos países.
“Como houve aumento de demanda e diminuição do número de navios, os navios passaram a ficar mais tempo nos portos, gerando uma diminuição de eficiência operacional no mundo todo. O Brasil acabou acompanhando essa diminuição de eficiência nos terminais”, disse.
“Mas vale observar que essa diminuição de eficiência não significa dizer que os portos estavam operando de maneira ineficiente. No Brasil, todos os portos trabalham com nível muito alto de eficiência. Nossos terminais são, de fato, muito eficientes”, acrescentou.
“EBC”
ECONOMIA
Demanda por viagens aéreas deve dobrar até 2050, aponta relatório
Mesmo nos cenários de menor crescimento, a procura por viagens aéreas deve mais que dobrar em cerca de 25 anos

Segundo o estudo, o volume global de viagens aéreas deve saltar de 9 trilhões de passageiros-quilômetros (RPK) registrados em 2024 para cerca de 20,8 trilhões em 2050, considerando um cenário intermediário.
O indicador RPK é usado pelo setor para calcular o tráfego de passageiros. Trata-se da medida do volume de passageiros transportados pelas companhias aéreas. O indicador é calculado da seguinte maneira: multiplica-se o número de passageiros pagantes pela distância percorrida.
O estudo simula três cenários: um de crescimento mais alto, um intermediário e outro mais baixo. Eles são impulsionados por diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR), que variam de 2,9%, a porcentagem mais baixa, a 3,3%, a mais alta.
Os cenários levam em conta diferentes projeções econômicas com fatores de longo prazo, incluindo crescimento econômico, populações, tendências de preços do combustível de aviação, a transição energética global e a capacidade de oferta do transporte aéreo.
Nas três situações, o volume de passageiros-quilômetros pagos mais que dobra entre 2024 e 2050. No cenário mais conservador, o número deverá chegar a 19,5 trilhões RPK em 2050. Já no cenário mais otimista, o número passará a ser de 21,9 trilhões. Assim, as três situações apontam para um crescimento consistente da aviação nas próximas décadas.
Segundo o diretor-geral da associação, o relatório reforça a necessidade de estruturas de políticas públicas que apoiem, por exemplo, o desenvolvimento de infraestrutura, a facilitação do acesso aos mercados, a harmonização regulatória e uma transição eficaz para energia limpa.
Mercados emergentes lideram alta


