No dia 2 de outubro de 1992, o pavilhão 9 da Casa de Detenção Carandiru em São Paulo, foi o cenário de um dos episódios mais sangrentos da história penitenciária mundial. 29 anos depois, o caso ainda é alvo de controvérsia. De um lado, o chefe da operação diz que agiu no estrito cumprimento do dever. Do outro, grupos de direitos humanos acreditam que houve intenção de exterminar os presos e reclamam que ninguém foi punido. Conheça os detalhes de um dia que já virou livro, filme, série de TV e entrou para a história.
10:00 Enquanto, no pátio, rola uma partida de futebol, 2 detentos (Barba e Coelho) começam a brigar dentro do pavilhão. Logo, os presos se dividem em 2 grupos rivais e a briga se espalha pelos andares. 14:00 A rebelião já está instalada e todos os carcereiros já abandonaram o local. Há fogo do lado de dentro, mas não há reivindicações por parte dos
presos. O chefe da Casa de Detenção pede reforços da PM.
15:30 Chamados pelo diretor da Casa de Detenção, cerca de 320 policiais estacionam fora do pavilhão 9. Entre eles, homens de batalhões de elite como Rota, Gate, 30 Choque e Cavalaria, além de alguns bombeiros. O diretor do presídio, Ismael Pedrosa, tenta uma última negociação. Do lado de dentro, a confusão está instaurada.
16:00 Grupos de direitos humanos alegam que os presos decidem pôr fim à rebelião e que muitos entregam as armas. A versão da polícia diz que as armas estavam sendo atiradas pelas janelas contra os policiais. 16:30 A polícia rompe a barricada e entra no pavilhão. O cel. Ubiratan diz que 86 homens participaram da operação. A promotoria diz que eram mais de 300 – a maioria sem os crachás de identificação.
16:45 No térreo, a situação é controlada facilmente. A defesa de Ubiratan alegou que ele foi atingido por uma explosão ao tentar subir para o 10 andar e levado ao hospital, ficando fora da operação. 16:50 No 1º andar, policiais encontram nova barricada, com um preso morto pendurado de cabeça para baixo. 26 homens teriam sido assassinados neste piso, segundo a perícia.
17:00 – Versão da polícia Centenas de presos preparam uma tocaia. Policiais são recebidos com facadas, estiletes sujos de sangue contaminado, sacos cheios de fezes e urina, e tiros. Atiram para se proteger. Segundo Ubiratan, se houvesse intenção de exterminar os presos, muitos outros teriam morrido. “Só morreu quem entrou em confronto com a polícia” disse à Super. A perícia concluiu que apenas 26 foram mortos fora da cela.
17:00 – Versão dos presos Os detentos haviam se rendido e estavam dentro das celas desarmados. “As trajetórias dos projéteis disparados indicavam atirador(es) posicionado(s) na soleira das celas, apontando suas armas para os fundos ou laterais” diz o laudo do Instituto de Criminalística. A perícia também concluiu que 70% dos tiros foram dirigidos à cabeça e ao tórax, o que reforça a ideia de extermínio. Para escapar com vida, presos se misturaram aos colegas mortos.
17:30 A perícia não encontrou indícios de confronto no 3º e 4º andares, o que reforça a teoria de que o enfrentamento entre polícia e presos se deu principalmente nos pisos inferiores.
Policiais mandam que os presos tirem a roupa e desçam para o pátio interno. Grupos de direitos humanos alegam que muitos foram executados durante essa operação. 19:00 Presos são escalados para carregar os corpos até o 1º andar, onde são empilhados, modificando o cenário do episódio e dificultando as conclusões da perícia.
Pavilhão 9
A rebelião tomou conta de quase todo o pavilhão, mas os pisos mais afetados foram os inferiores. A área representada no infográfico acima é a que aparece colorida no esquema à direita.
O massacre em números
• 8 presos mortos. Foi o que a polícia divulgou no dia, véspera de eleição. • 111 presos mortos (é o número oficial, apesar de ex-detentos insistirem em mais de 200). • 103 vítimas de disparos. • 8 vítimas de objetos cortantes. • 0 policial morto. • 130 detentos feridos. • 23 policiais feridos. • 515 tiros disparados. • 120 policiais indiciados. • 86 policiais julgados. • 1 policial condenado (cel. Ubiratan). • 632 anos de prisão foi a sentença.
Parte interna do presídio do Carandiru
Policiais prontos para invadirem o complexo
Presos sendo revistados após a rebelião
Centenas de corpos jogados no primeiro andar do presídio
Corredor do presídio do Carandiru alagado de sangue
Presos mortos no massacre dentro do IML, no corredor
Presos, três dias depois do ocorrido, de luto
Ao anoitecer, policiais ordenaram que todos os que deram a sorte de estarem vivos descessem ao pátio externo e tirassem suas roupas para revista, e que alguns dos presos se levantassem para carregarem os corpos até o 1º andar. Houve também mais execuções durante a operação policial.
O Coronel Ubiratan Guimarães (foto acima), que liderou a operação policial na Casa de Detenção, foi julgado pelo caso e condenado a 632 anos de prisão, e posteriormente acabou por ser absolvido. Ubiratan foi assassinado com um tiro no abdômen em 10 de setembro de 2006, e sua morte ainda é um mistério. No prédio onde morava, foi pichada a frase “aqui se faz, aqui se paga”, em referência ao Massacre do Carandiru.
Na época, Ubiratan tentou se defender diante da imprensa, afirmando que se quisesse mesmo matar, teria feito isso com muito mais que 111 detentos.
O secretário de Segurança Pública Pedro Franco de Campos se envolveu indiretamente no Massacre. Mesmo não estando no local do crime, Pedro autorizou a invasão ao pavilhão 9.
Este homem se chama José Ismael Pedrosa, o ex-diretor da Casa de Detenção que acionou a PM assim que a rebelião havia começado
O prédio onde era a Casa de Detenção foi implodido em 08 de novembro de 2002 às 11hrs com 250 quilos de explosivos. Hoje, o local virou o Parque da Juventude, um complexo esportivo, cultural e recreativo e um dos locais mais frequentados da zona norte da capital paulista.
O prédio onde tudo aconteceu sendo demolido
Parque da Juventude
O trágico evento virou filme, dirigido por Hector Babenco, baseado no relato dos sobreviventes e de policiais que atuaram lá, e no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, que foi o médico voluntário da Casa de Detenção por 13 anos. O filme falava sobre o cotidiano do presídio antes e durante o massacre.
Ailton Graça como “Majestade”, um dos sobreviventes do massacre antes de ser preso, e Aída Leiner, como uma de suas pretendentes, Rosirene
Rodrigo Santoro e Gero Camilo como o casal Lady Di e “Sem Chance” no momento em que um policial entra na cela durante a rebelião
Luiz Fernando Vasconcellos interpreta Dráuzio Varella
Wagner Moura e Caio Blat (ao fundo) em cena do filme
Maria Luisa Mendonça interpretou Dalva, namorada de Majestade
A terceira temporada da série estadunidense Prison Break, transmitida em 2007, foi baseada no episódio do Carandiru. Um dos personagens da série foi enviado para a Penitenciária Federal de Sona, no Panamá, uma das mais perigosas e violentas do mundo. Até o dia da extinção, a Casa de Detenção de São Paulo abrigou 7.000 detentos em seus nove pavilhões, só que o máximo permitido lá eram de 3.250 detentos. O caso do Carandiru foi encerrado em 2014, condenando 73 policiais a penas que variaram entre 48 e 624 anos de prisão, e todos puderam recorrer em liberdade.
A Polícia Civil está conduzindo investigações em bares e adegas que levantam suspeitas; o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a Polícia Federal também está envolvida na apuração dos casos
Autoridades decidiram interditar cautelarmente todos os estabelecimentos que apresentem indícios de comercialização de bebidas adulteradas
O estado de São Paulo registrou um aumento no número de mortes por intoxicação por metanol, que agora chega a cinco. Os incidentes ocorreram tanto na capital quanto na região metropolitana. Até o momento, foram contabilizados 22 casos de intoxicação, sendo sete confirmados e 15 ainda em fase de investigação.
Em resposta à situação, as autoridades decidiram interditar cautelarmente todos os estabelecimentos que apresentem indícios de comercialização de bebidas adulteradas. Especialistas alertam que a contaminação por metanol geralmente está associada à falsificação de produtos, uma vez que a substância não altera o sabor ou o aroma, sendo identificável apenas em análises laboratoriais.Ainda não se sabe a origem do metanol ou como as garrafas foram contaminadas.
A Polícia Civil está conduzindo investigações em bares e adegas que levantam suspeitas. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a Polícia Federal também está envolvida na apuração dos casos de intoxicação por metanol. Um inquérito foi aberto para investigar a origem da substância e verificar se houve distribuição em outros estados
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.