Agronegócios
Área de soja deve crescer mais de 6% no norte de MT, mas produtores mantêm cautela
Agronegócios
Por Luiz Patroni
Tradicionalmente caracterizado pela forte presença da pecuária, o norte de Mato Grosso tem destinado espaço cada vez maior para a produção de grãos. É um caminho sem volta na avaliação de muitos produtores, que convertem em lavouras áreas de pasto que já estavam degradadas, ou passam a diversificar as fontes de renda da fazenda, investindo na integração entre lavoura e pecuária.
Este movimento é confirmado pelos números do Imea, que colocam a região norte como a única do estado com previsão de avanço mais expressivo das lavouras de soja na próxima safra: 6,48%. Nas demais regiões o crescimento será praticamente nulo ou inferior a 1%.
Se a projeção for confirmada, as lavouras de soja o norte mato-grossense deverão ocupar 398.481 hectares na safra 2019/20. São quase 70% a mais do que o terreno cultivado há cinco anos na região. Um retrato fiel da busca pela diversificação, seja por opção, oportunidade ou necessidade.
O fato é que quem dá esse passo dificilmente quer voltar atrás. Caso, por exemplo, do produtor Luiz Antonio Pavoni, de Colíder. Desde 1987 a pecuária é o carro-chefe da fazenda da família, que chegou a apostar no ciclo completo mas hoje faz apenas recria e engorda. E a mudança da estratégia não foi a única. Pelo sexto ano consecutivo a família se prepara para o cultivo de soja em parte da área da propriedade. Serão 740 hectares de lavoura neste novo ciclo, quase a metade do terreno da fazenda – entre áreas próprias e arrendadas.
Mesmo com a experiência ainda “recente” na agricultura, a família Pavoni mostra que está bastante alinhada com a realidade do setor. Cada passo a ser dado só é decidido após muita análise, para evitar ao máximo os riscos. Prova disso é o próprio ritmo da conversão das áreas de pasto em lavoura.
Na safra passada as lavouras ganharam 200 hectares na fazenda, registrando um crescimento anual de 40% no terreno destinado às plantações. Desta vez, o avanço anual será muito mais tímido: apenas 40 hectares, o equivalente a pouco mais de 5%. Uma mostra de que a cautela está presente de norte a sul do estado.
Fonte: Canal Rural
Agronegócios
Revisão contratual se torna estratégia chave para empresas em tempos de crise econômica
Flexibilidade nos contratos ajuda a manter negócios ativos e reduzir riscos jurídicos

Em um cenário econômico instável, marcado por inflação, variações nas taxas de juros e crises setoriais, a revisão contratual surge como uma ferramenta essencial para garantir a sustentabilidade dos negócios. Mais do que uma medida jurídica, ela se torna um aliado estratégico na gestão empresarial, permitindo que empresas e profissionais adaptem seus compromissos às mudanças do mercado e evitem litígios desnecessários.
Revisão contratual: prevenção e governança corporativa
Segundo o advogado Marco Aurélio Alves de Oliveira, da Hemmer Advocacia, a revisão de contratos deixou de ser apenas uma ação emergencial e passou a integrar as políticas de governança corporativa de empresas que buscam segurança jurídica.
“A revisão contratual é uma ferramenta preventiva. Ela garante que as partes possam renegociar cláusulas diante de situações imprevistas, como oscilações econômicas, alterações legislativas ou crises setoriais. O objetivo é preservar o equilíbrio financeiro e a continuidade das relações comerciais, sem que seja necessário recorrer ao Judiciário”, explica Marco Aurélio.
Base legal e antecipação contratual
A revisão contratual está prevista no artigo 478 do Código Civil, que permite a alteração ou rescisão de contratos quando acontecimentos imprevisíveis comprometem o equilíbrio financeiro entre as partes.
No entanto, a antecipação contratual, por meio de cláusulas específicas de revisão, é considerada a melhor estratégia para evitar litígios.
“O ideal é que as empresas já incluam nos contratos cláusulas de revisão, que definam parâmetros claros para renegociação em caso de desequilíbrio econômico. Isso reduz incertezas e traz mais previsibilidade para as partes envolvidas”, complementa Marco Aurélio.
Aplicação prática em diversos setores
A revisão contratual tem sido utilizada em setores como fornecimento, locação comercial, prestação de serviços e financiamentos, especialmente durante períodos de retração econômica.
Com a alta dos custos operacionais e mudanças nas cadeias de suprimento, revisar contratos pode ser decisivo para manter parcerias comerciais ou evitar processos judiciais prolongados.
“É preciso prezar por uma negociação transparente e técnica, sempre com o acompanhamento de uma assessoria jurídica especializada. A revisão deve ser vista como uma oportunidade de ajuste e diálogo, não como um embate. Quando conduzida com boa-fé e base técnica, ela preserva a saúde financeira da empresa e fortalece os vínculos comerciais”, afirma o advogado.
Contratos flexíveis garantem resiliência
Para Marco Aurélio, a principal lição é clara:
“Em tempos de instabilidade, contratos rígidos podem fragilizar negócios; contratos flexíveis, com instrumentos de revisão bem estruturados, garantem resiliência e segurança jurídica.”
Fonte: Portal do Agronegócio

