A exportação do Brasil para os chineses, que está sendo negociada pelos governos dos dois países, tende a causar um repique de alta para os preços domésticos do milho, mas o setor de etanol só sentiria esse impacto nas compras deste ano para o produto que será entregue em 2023
Usinas de MT não veem risco de oferta em 2022 mesmo que China compre milho, diz Imea
AGRONEGÓCIOS
As usinas de etanol de milho não devem ter risco de oferta de matéria-prima, mesmo diante de um cenário em que a China passe a importar o cereal brasileiro ainda neste ano, visto que as compras da indústria já foram realizadas antecipadamente, disse nesta segunda-feira o superintendente do Imea, Cleiton Gauer.
A exportação do Brasil para os chineses, que está sendo negociada pelos governos dos dois países, tende a causar um repique de alta para os preços domésticos do milho, mas o setor de etanol só sentiria esse impacto nas compras deste ano para o produto que será entregue em 2023.
“O impacto no preço vai depender muito do volume que os chineses vão comprar”, disse ele à Reuters durante evento em São Paulo.
“Com relação à oferta não vejo um problema, porque o que grande parte das indústrias processa e opera agora é um milho comprado antecipadamente”, acrescentou especialista do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária.
O presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, acrescentou que as negociações das usinas para aquisição do cereal são feitas, em sua maioria, por meio de contratos a termo.
“Não se pode comprar da mão pra boca, precisamos ter um mínimo de previsibilidade”, disse.
Gauer comentou que foi a indústria de etanol quem trouxe esta prática de compras antecipadas para o mercado de milho em Mato Grosso, contribuindo também com a expansão de produção do cereal.
Segundo o presidente da Unem, nos últimos cinco anos, a área de milho segunda safra cresceu cerca de 50% em Mato Grosso e parte disso se deve à expansão das usinas do biocombustível.
Dados da entidade que representa as usinas indicam que a produção de etanol de milho do Brasil na safra 2022/23, iniciada em abril, deve alcançar 4,5 bilhões de litros, aumento de 31% em relação à temporada anterior –Mato Grosso reúne a maior parte do setor.
O volume de milho processado pelas usinas também deverá aumentar de 7,98 milhões de toneladas, na safra passada, para 10,38 milhões de toneladas.
Com isso, o etanol de milho deverá ampliar sua participação na produção total do biocombustível, passando de 12,5% para 15%. A fatia restante corresponde ao produto fabricado a partir da cana-de-açúcar.
“Na safra 2030/31, a produção de etanol de milho chegará a 9,6 bilhões de litros e a participação na produção nacional total de etanol ficará entre 22% e 23%”, estimou Nolasco.
Atualmente, 18 usinas processam o cereal para fabricação do biocombustível no Brasil.
INSUMOS
Atenta às projeções positivas para o mercado de etanol de milho, a companhia de biotecnologia Novozymes anunciou durante evento que vai inaugurar no final deste ano, no Paraná, sua primeira planta de levedura para atender o mercado de biocombustíveis em toda a América Latina.
Sem revelar o valor do investimento, o presidente regional da Novozymes para América Latina, William Yassumoto, disse à Reuters que a levedura é um insumo fundamental para o processo produtivo de etanol de milho, utilizado na fermentação da matéria-prima.
“Até agora, tínhamos importado a levedura para fornecer às usinas… estamos olhando para um mercado que está crescendo”, afirmou o executivo, citando que a empresa já atende 18 usinas.
A nova planta será instalada no município de Araucária, onde a companhia já tem operações de produção de enzimas que também são fornecidas para fabricantes de etanol de milho.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

