AGRONEGÓCIOS
Transporte rodoviário de trigo cresce 57% no 1° trimestre, aponta pesquisa
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Dados da Fretebras, – do Grupo Frete.com – maior plataforma de transporte rodoviário de cargas da América Latina, mostram crescimento de 57% no volume de fretes no 1° trimestre deste ano na comparação com igual período de 2022. O movimento foi puxado em grande parte pelo Rio Grande do Sul, onde a expansão atingiu 70%. Em relação ao preço médio do frete por tonelada do trigo, a plataforma também registrou alta de 25% no período.
“Esse aumento da produção reflete no aumento do volume de fretes do trigo em nossa plataforma. Com a necessidade de escoar maior quantidade do produto, as transportadoras do agro buscam soluções digitais como a Fretebras para contratar caminhoneiros que realizam o transporte do trigo de forma mais rápida e eficaz e garantir o escoamento das cargas”, diz Bruno Hacad, Diretor de Operações da Fretebras.
Hacad explica que o preço do frete é impactado por oferta e demanda e quando há um aumento no volume de cargas é natural que o preço do frete também suba. Por isso, utilizar plataformas de fretes, como a da Fretebras, é um bom caminho para gerar mais economia e garantir o cumprimento dos contratos pelas transportadoras.
Outro fator que influencia no preço do frete é o diesel. Mas, com as recentes quedas, o insumo está com um valor somente 5% mais alto no 1° trimestre deste ano comparado com o mesmo período do ano passado, enquanto o preço do frete do trigo por tonelada aumentou 25%, cinco vezes mais. Isso reforça o aumento expressivo de oferta versus demanda do produto e traz uma boa notícia para os motoristas, que passam a trabalhar com margens melhores nos fretes que realizam.
Quanto aos Estados produtores, o Rio Grande do Sul obteve a sua maior safra. A área cultivada do trigo foi a maior em 42 anos, segundo a Emater. Já o Paraná sofreu com excesso de chuvas e foi passado em volume produtivo pelo Rio Grande do Sul. Mesmo assim, o Brasil atingiu uma produção 24% maior em relação à temporada anterior, de acordo com a Embrapa Trigo.
Esse aumento se reflete diretamente no transporte de cargas rodoviário, pois é necessário um volume maior de caminhoneiros para escoar a produção. Além do crescimento de 70% no volume de fretes de trigo na plataforma da Fretebras, o Rio Grande do Sul aumentou sua representatividade do produto em 7 p.p, demonstrando esse protagonismo do Estado na produção do cereal.
“O ano começou bem para o trigo em nossa plataforma, com muita demanda de fretes ainda decorrentes da produção recorde da safra anterior, com estoques e necessidade de escoamento. Para a próxima safra esperamos resultados similares, com a força do Rio Grande do Sul e mais protagonismo do Paraná”, afirma Hacad.
Segundo a consultoria StoneX, as projeções para a próxima safra do trigo são de 11,3 milhões de toneladas produzidas, cerca de 3% a mais em relação à temporada passada.
“Fretebras”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

