AGRONEGÓCIOS
Seca Causa Prejuízos de US$ 80 Bilhões à Soja no Brasil
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Seca Causa Prejuízos de US$ 80 Bilhões à Soja no Brasil
Estiagem afeta 18,52% dos estados produtores e tem impactos econômicos profundos
A seca tem se configurado como um dos maiores desafios enfrentados pelos produtores de soja no Brasil, provocando perdas bilionárias nos últimos anos. De acordo com a Embrapa Soja, entre as safras 2014/15 e 2023/24, os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraná, responsáveis por grande parte da produção nacional, deixaram de colher cerca de 160 milhões de toneladas da oleaginosa devido à estiagem. O prejuízo estimado ultrapassa os US$ 80 bilhões, um impacto que vai além dos agricultores, afetando toda a cadeia produtiva, incluindo setores como avicultura e suinocultura.
José Renato Farias, da Embrapa Soja, ressalta que, embora a perda financeira afete diretamente o produtor, o impacto sobre a economia é ainda maior, uma vez que a cadeia produtiva da soja influencia outros ramos da agricultura. “A perda monetária é significativa e atinge diretamente o bolso do produtor de soja, mas seu impacto sobre a economia é muito maior, pois a cadeia do grão é responsável pelos custos de outras atividades agrícolas”, afirmou Farias ao Valor Econômico.
Entre os estados mais afetados, o Rio Grande do Sul se destaca pela alta vulnerabilidade às estiagens, perdendo, em média, uma safra completa a cada quatro colhidas. O Paraná, por sua vez, tem enfrentado perdas substanciais, com uma safra a menos a cada seis anos. Esse cenário coloca uma pressão adicional sobre os produtores, que buscam soluções para minimizar os impactos da seca nas lavouras.
Uma das alternativas que tem ganhado destaque são os polímeros superabsorventes, que desempenham um papel essencial no manejo da água em solos afetados pela seca prolongada. Esses polímeros têm a capacidade de armazenar grandes quantidades de água e liberá-las gradualmente para as plantas, ajudando a manter a umidade do solo por mais tempo. Além de reduzir as perdas nas lavouras, a tecnologia oferece maior segurança aos produtores em condições climáticas adversas.
Loremberg de Moraes, diretor da Hydroplan EB, destaca a importância de soluções inovadoras para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. “Os desafios impostos pela seca exigem estratégias inteligentes e sustentáveis. Nossos polímeros têm se mostrado uma ferramenta eficaz para ajudar os produtores a superar adversidades e garantir colheitas mais seguras, mesmo nas condições mais extremas”, afirmou.
Com a combinação de avanços tecnológicos e estratégias inovadoras, o Brasil continua buscando formas de mitigar os efeitos da seca, protegendo sua produção agrícola e mantendo sua posição como líder no mercado mundial de soja.
“Portal do Agronegócio”
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

