A modalidade de barter foi inovada na Fiagril e garante mais rentabilidade por possibilitar ao produtor participação nas oportunidades de valorização da soja no mercado
Relação de troca entre insumos e soja correspondem a 50% das negociações em MT
AGRONEGÓCIOS
A relação de troca entre fertilizantes e soja em 2022 segue favorável e o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que, do volume já adquirido do insumo, metade tenha sido negociada por meio de contratos de barter. Isto sinaliza que os produtores estão aproveitando a boa relação para travar os custos da safra futura cada vez mais cedo.
A operação Barter é um mecanismo de financiamento da safra, no qual o pagamento pelo produto é feito através da entrega do grão na pós-colheita, sem a intermediação monetária.
Esse mecanismo, no entanto, foi inovado pela Fiagril no ano passado com a criação do Barter Ultra, que possibilita aos clientes melhorias na rentabilidade e melhor relação de troca. Isto porque, 100% do lucro da operação é do produtor.
Neste novo modelo, além dos benefícios já existentes, é possibilitado participação nas oportunidades de valorização da soja no mercado.
“No Barter Ultra é assegurado o preço e em caso de uma baixa cotação a relação de troca está garantida. Além disso, há um segundo valor que, em caso de aumento da cotação da soja na bolsa (CME Group), no mês da entrega negociado, o cliente participa desta valorização através da trava de alta”, explica o diretor de Grãos e Operações da empresa, Guilherme Kummer.
Juarez Fagundes Ribas é cliente desde a década de 1990 e conta que com o dispositivo foi possível melhorar os custos.
“A Friagril já fazia isso há muitos anos, mas agora inovou e foi um sucesso. Quando faz o barter normal, não altera o valor, com o Ultra, melhorou o custo, no meu caso, de quatro sacos por hectare. É algo novo que veio para ficar”, comemorou Juarez. Ele obteve mais de 15% de vantagem na relação de troca.
José Paulo Kummer aderiu ao Barter Ultra e relata uma relação de confiança com a empresa, com quem já trabalha há mais de 30 anos. Na última safra, precisou adquirir os insumos antes da hora e, ao fechar a negociação, tomou conhecimento da nova modalidade e resolveu “experimentar”.
“Me falaram que a ferramenta é por conta da Fiagril e que quem produz pode participar de uma possível melhora no futuro. A venda se torna mais interessante quando você almeja um valor a mais”, afirmou.
Com o Barter Ultra, José Paulo obteve mais de 13% de vantagem na relação de troca. Isto porque o preço garantido protege o produtor, enquanto a trava demonstra quanto o lucro pode aumentar.
Com este resultado, é possível aplicar na aquisição de mais insumos, realizar o pagamento por armazenagem ou ainda fazer a antecipação de vencimentos futuros.
“Mídia News”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

