AGRONEGÓCIOS
Produtores Rurais Enfrentam Desafios Climáticos e Financeiros: Diferenças Entre Prorrogação e Renegociação de Dívidas
AGRONEGÓCIOS
Especialista destaca a importância do entendimento jurídico para a proteção do patrimônio rural
A agricultura no Brasil sempre apresentou desafios, mas, nos últimos anos, esses obstáculos se tornaram ainda mais intensos. De acordo com o advogado especializado em Direito Bancário e Agrário, Acir Marcondes, os produtores rurais estão cada vez mais vulneráveis a condições climáticas adversas e à pressão financeira, agravadas por fatores externos como a pandemia e o conflito na Ucrânia, que resultaram no aumento dos custos de insumos essenciais, como fertilizantes.
Marcondes aponta que, além das dificuldades climáticas, que incluem geadas, secas e calor excessivo, os agricultores enfrentam a queda nos preços de produtos como a soja, cuja saca, que alcançava R$ 200 há dois anos, atualmente está em torno de R$ 100. “Essa situação reduz drasticamente a renda do produtor, gerando um ciclo de dívidas que se torna difícil de gerenciar”, explica o advogado.
Entendendo Prorrogação e Renegociação de Dívidas
Uma das maiores preocupações dos produtores é como lidar com as dívidas, especialmente diante de uma queda na produtividade. Marcondes enfatiza a importância de distinguir entre prorrogação e renegociação de dívidas. “A prorrogação é um direito do produtor. Ele pode solicitar ao banco, antes do vencimento da dívida, a reprogramação dos pagamentos, sem que haja alteração nos juros ou nas garantias do contrato”, esclarece.
Por outro lado, a renegociação, segundo o advogado, pode se tornar uma armadilha para o produtor, uma vez que os bancos frequentemente impõem condições desfavoráveis, como o aumento das taxas de juros ou a exigência de garantias adicionais, como terras ou equipamentos — práticas que são ilegais de acordo com a legislação agrária.
Proteção do Patrimônio e Continuidade da Produção
Para Marcondes, é essencial que a legislação seja rigorosamente respeitada, permitindo ao produtor prorrogar suas dívidas sem comprometer seu patrimônio. “A lei agrária foi criada para proteger a produção rural e assegurar a continuidade da atividade, que é fundamental para a segurança alimentar e econômica do país”, destaca.
O advogado também alerta que, em face de recentes desafios climáticos, como as geadas que impactaram as safras, os produtores devem documentar imediatamente as perdas e buscar assessoria jurídica especializada. “Essa documentação é crucial para garantir que os direitos do produtor sejam respeitados e que ele possa continuar sua produção sem comprometer seu patrimônio”, afirma.
Dicas para o Produtor Rural
Para aqueles que estão prestes a solicitar novos financiamentos, Marcondes recomenda a formalização de todos os pedidos por escrito, preferencialmente com a assistência de um advogado. Essa medida pode evitar problemas futuros e assegurar que os direitos do produtor sejam respeitados pelas instituições financeiras.
Acir Marcondes enfatiza que os produtores rurais devem estar atentos às mudanças no cenário financeiro e às práticas dos bancos. Conhecer os direitos previstos na legislação agrária é fundamental para garantir a continuidade da produção sem comprometer o patrimônio, que é vital para o setor agrícola do país.
“Portal d Agronegócio”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

