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Produtores de Mato Grosso criticam novo decreto ambiental e demandam ações proativas do governo

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Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, alerta sobre a injustiça das multas e enfatiza a necessidade de estratégias eficazes para prevenir incêndios

Em defesa dos interesses dos produtores de soja e milho de Mato Grosso, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, manifestou sua preocupação em relação ao novo decreto ambiental do Governo Federal, publicado em 20 de setembro de 2024. O Decreto nº 12.189, que impõe severas penalidades a quem provocar incêndios ilegais, recebeu críticas por carecer de medidas preventivas e de fiscalização adequadas, especialmente em um ano marcado por intensa seca e incêndios generalizados no Brasil.

Beber destacou que a nova legislação pode resultar em penalizações injustas para os produtores rurais, ressaltando a diferença entre queimadas, que são uma prática controlada e legal, e incêndios, frequentemente causados por fatores externos, como a imprudência de motoristas que descartam bitucas de cigarro nas rodovias. “Muitos desses incêndios começam à beira da estrada, se espalham pela mata e invadem lavouras, causando prejuízos aos produtores, que ainda têm o ônus de provar que não foram os responsáveis. Assim, correm o risco de receber multas e ter suas propriedades embargadas. O governo, em vez de oferecer soluções, opta por apontar culpados e não toma as devidas providências”, criticou o presidente da Aprosoja MT.

O presidente também enfatizou a necessidade de diálogo e colaboração entre o governo e os produtores para desenvolver soluções eficazes no combate a incêndios, especialmente em períodos de seca. “O governo federal deveria investir em aeronaves de grande porte para combater incêndios, como ocorre na Califórnia e na Austrália, mas, infelizmente, aqui o governo não cumpre seu papel”, declarou.

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Lucas Costa Beber destacou ainda a evolução da agricultura e da pecuária no Brasil, desmistificando a ideia de que queimadas são amplamente utilizadas para a limpeza de áreas produtivas. “Reconhecemos que há confusão em relação a isso; a imagem do passado, onde as queimadas eram um método comum, está ultrapassada. Atualmente, praticamos o plantio direto sobre a palha, que é muito diferente do solo arado que se vê em filmes americanos. A técnica do plantio direto evita a revolução do solo, preservando a matéria orgânica, aumentando a infiltração de água e melhorando a capacidade de armazenamento do solo, além de reduzir a erosão. Em caso de incêndio, a recuperação da matéria orgânica pode levar até cinco anos, gerando prejuízos significativos. Mesmo que o produtor quisesse, não queimaria uma árvore em sua propriedade, pois isso lhe causaria danos”, explicou Beber, lembrando que até as queimadas autorizadas por lei são proibidas durante os meses de seca.

O presidente da Aprosoja MT reafirmou o compromisso ambiental dos produtores brasileiros, ressaltando que o Brasil possui o Código Florestal mais rigoroso e avançado do mundo. Ele destacou que, no bioma amazônico, os produtores mantêm grandes porcentagens de áreas preservadas, em contraste com outros países. “Os produtores brasileiros são os únicos que preservam áreas agricultáveis dentro de suas propriedades”, afirmou.

Decreto e Multas

O Decreto nº 12.189 estabelece multas severas para quem causar incêndios. As sanções incluem penalidades de até R$ 10 mil por hectare em caso de incêndio em vegetação nativa e até R$ 5 mil por hectare em florestas cultivadas. Além disso, o decreto prevê o embargo das áreas afetadas, impedindo qualquer lucro ou vantagem econômica decorrente de infrações ambientais.

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Embora esteja preocupado com o impacto das novas sanções sobre produtores que não são responsáveis pelos incêndios, Lucas Beber reiterou o compromisso dos produtores de Mato Grosso com a sustentabilidade. Ele destacou que 66% do território brasileiro é composto por vegetação nativa preservada, sendo 25% dessas áreas localizadas dentro de propriedades rurais. “A agricultura brasileira é uma referência mundial em práticas sustentáveis, especialmente em Mato Grosso, onde utilizamos apenas 14% do território do estado para a produção de soja e milho”, concluiu.

Beber também lembrou que as regiões com menos ocorrências de queimadas no Brasil são aquelas que possuem atividades agrícolas. “Não podemos atribuir os índices de incêndios à agricultura. Temos diversas fontes na internet para monitorar os focos de incêndios, e a maioria se origina nas margens de rodovias, especialmente as federais, além de ocorrerem em reservas indígenas e em áreas que deveriam estar sob a proteção do governo federal. Essas áreas são as que mais sofrem com as chamas. Em contrapartida, se analisarmos os números oficiais, veremos que as áreas que menos queimam são aquelas que já estão sob exploração agrícola”, concluiu o presidente da Aprosoja MT.

 

“Portal do Agronegócio”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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