AGRONEGÓCIOS
Produtividade de soja da Frísia aumenta quase 10% na safra 2024/2025
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Cooperativa centenária do Paraná investe em tecnologia e pesquisa e registra resultados positivos no Paraná e Tocantins
Publicado em: 03/08/2025 às 16:00hs

Foto: Rafael Piotto
Crescimento na produtividade da soja
A produção de soja dos cooperados da Frísia na safra 2024/2025 alcançou 4.450 kg por hectare no Paraná e 3.800 kg por hectare no Tocantins, representando um aumento de cerca de 10% em relação à safra anterior. A cooperativa, que completa 100 anos em 2025, é a mais antiga do Paraná e a segunda do Brasil, contando com aproximadamente 1,1 mil cooperados e 1,2 mil colaboradores.
Investimentos em inovação e infraestrutura
O presidente da Frísia, Geraldo Slob, atribui o desempenho ao conjunto de ações que visam otimizar recursos, reduzir custos e ampliar o potencial produtivo. Segundo ele, o crescimento é resultado da combinação entre investimento em tecnologia, pesquisa e condições climáticas favoráveis.
Recentemente, a cooperativa investiu R$ 53,7 milhões em melhorias, incluindo um novo escritório de insumos em Carambeí (PR), barracões climatizados nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS) em Ponta Grossa e Tibagi (PR), além de obras nos armazéns e secadores em Paraíso do Tocantins e Dois Irmãos do Tocantins.
Desempenho geral e presença regional
Em 2024, a Frísia registrou faturamento de R$ 5,79 bilhões, produzindo 362,2 milhões de litros de leite; 826,8 mil toneladas de grãos; 93 mil toneladas de produção florestal; e 27,9 mil toneladas de carne suína. A cooperativa conta com 12 unidades no Paraná e duas no Tocantins.
Celebrações do centenário
Com foco no aniversário de 100 anos, a Frísia lançou em 2020 o planejamento estratégico “Rumo aos 100 anos”, que orientou suas ações recentes. Em 2024, foi promovido um concurso fotográfico entre cooperados e colaboradores para celebrar o legado da cooperativa.
Entre as atividades comemorativas previstas para 2025 estão a exposição no Palácio Iguaçu, o Dia da Família para cooperados e colaboradores, além da Corrida e Caminhada 100 Anos Frísia, marcada para 24 de agosto no Parque Histórico de Carambeí.
Em fevereiro, a cooperativa lançou o livro “Histórias que contam a história”, com 100 crônicas sobre momentos importantes da Frísia. Também foi inaugurada a “Galeria dos Presidentes”, que homenageia os diretores-presidentes ao longo do século de atuação.
Origem e trajetória da cooperativa
Fundada em 1911, a Frísia teve início com famílias holandesas que se estabeleceram nos Campos Gerais do Paraná, motivadas por um plano de colonização ligado à Brazil Railway Company. O contrato de trabalho incluía casa, bois, vacas leiteiras, sementes e adubo.
Em 1925, essas famílias fundaram a Sociedade Cooperativa Hollandeza de Lacticínios, com sete sócios e produção inicial de 700 litros de leite por dia — hoje, essa é a quantidade produzida por minuto.
Em 1928, surgiu a marca Batavo. Com a chegada de novos imigrantes a partir de 1943, a cooperativa expandiu suas atividades, introduzindo mecanização e melhoramento genético, importando gado holandês puro, que tornou a região referência em produtividade.
Em 1954, foi criada a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda. (CCLPL), que incorporou a marca Batavo. A CCLPL evoluiu para Batávia S.A em 1997 e, após mudanças societárias, a Frísia retomou a industrialização em 2011 com a inauguração da Central de Processamento de Leite Frísia.
Em 2015, a Batavo Cooperativa Agroindustrial mudou sua denominação para Frísia Cooperativa Agroindustrial e, em 2016, expandiu suas operações para o Tocantins, inaugurando seu primeiro entreposto fora do Paraná.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

