Mais grãos e melhor desempenho asseguram a continuidade da liderança mato-grossense no cultivo dessa lavoura
Produtividade da safra de soja aumenta em Mato Grosso
AGRONEGÓCIOS
Enquanto a produtividade e a produção da soja mato-grossense aumentam, a lavoura nacional encolhe.
Isso é o que aponta o 10º Levantamento de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no fim de semana.
A estimativa é que os produtores mato-grossenses colham 40,74 milhões de toneladas (mi/t), superando em 11,6% o cultivo do ano anterior, de 36,52 mi/t ao passo que o desempenho brasileiro estimado é de 124,04 mi/t caindo 10,2% no comparativo com 2021, que foi de 138,15 mi/t.
A área nacional cultivada com a leguminosa foi consolidada em 40,95 mi/hectares (ha), com expansão de 4,5% no comparativo com a anterior, de 39,19 mi/ha. Mato Grosso semeou em seus 141 municípios 10,90 mi/ha com crescimento de 4,1% no comparativo com a safra 2020/21 semeada sobre 10,47 mi/ha.
O Brasil enfrentou quebra de produtividade da soja.
Nacionalmente, o encolhimento foi de 14,1%, caindo de 3.535 sacas por hectare na safra passada para 3.019 sacas.
A lavoura mato-grossense produziu mais e não sentiu efeitos climáticos, ao contrário do que aconteceu em alguns estados; seu crescimento foi de 7,2%, saltando de 3.485 sacas por hectares na safra 2020/2021 para 3.735 sacas.
Com essa estimativa de produção Mato Grosso permanece no topo do ranking do cultivo dessa leguminosa, posição que ocupa há mais de duas décadas.
Em ordem decrescente de produção, o segundo colocado é Goiás, com 16,03 mi/t, seguido pelo Paraná, com 12,25 mi/t, Rio Grande do Sul com 9,11 mi/t e Mato Grosso do Sul com 8,83 mi/t.
O documento da Conab aponta para a estimativa de produção de 65 mi/t nos três estados do Centro-Oeste, sem incluir o Distrito Federal, representa 52,5% da leguminosa brasileira, o que faz do cerrado dessa região do Brasil interior o maior celeiro da soja nacional.
Segundo a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), em 2021 o Brasil exportou 86 mi/t de soja em suas diversas formas, sendo que o principal destino foi a China, que importou 60 mi/t.
Mato Grosso respondeu por 25% dessa movimentação na balança comercial.
O cultivo da soja em Mato Grosso vai além do aspecto econômico.
Sua lavoura atraiu levas de migrantes, sobretudo, do Sul do país, o que contribuiu para o crescimento populacional, alterou e incorporou costumes aos mato-grossenses.
Presente em todos os municípios e com destaque para Sorriso, Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Sapezal, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Diamantino e Tangará da Serra, a cadeia produtiva da soja responde por boa parte do tráfego de carretas e bitrens nas rodovias federais, e por considerável parte da movimentação da Ferrovia Senador Vicente Vuolo operada pela Rumo Logística, com terminais ferroviários em Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis e que escoa commodities agrícolas para o porto de Santos.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

