Os preços do suíno, tanto para o quilo vivo quanto para os cortes negociados no atacado, apresentaram reajustes no decorrer dos últimos dias. Os suinocultores estão apontando que a oferta está enxuta, fator que tende a favorecer novos reajustes no curto prazo
Preços do suíno mostram sinais de reação no Brasil
AGRONEGÓCIOS
Segundo o Analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, o avanço da procura dos frigoríficos também é positivo, com estes ajustando estoques para o fechamento do ano, avaliando ainda que o escoamento da carne está melhorando neste momento. O consumo na ponta final tende a ser aquecida na segunda quinzena, favorecido pela entrada da segunda parcela do décimo terceiro na economia e pelas festividades. “Fora a ponta final, o mercado tende a perder um pouco de liquidez, especialmente na última semana útil de 2022”, afirma o analista.
Para Allan, um ponto a ser acompanhado de perto é o ritmo de exportação brasileira, que pode desacelerar no decorrer das próximas semanas. Os preços da cadeia suinícola da China estão pressionados o que pode levá-los a atuar de maneira tímida nas importações.
O custo de produção ainda preocupa os suinocultores, principalmente os independentes.
Preços
Levantamento de SAFRAS & Mercado apontou a média de preços do quilo do suíno vivo no país avançou 4,05% na semana, passando de R$ 6,33 para R$ 6,59. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado elevou de R$ 10,30 para R$ 10,77, avanço de 4,58%. A carcaça teve uma alta de 6,67%, passando de R$ 10,03 para R$ 10,70.
A análise semanal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo avançou de R$ 134,00 para R$ 150,00. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo estagnou em R$ 5,50. No interior do estado, elevou de R$ 6,50 para R$ 6,90.
Em Santa Catarina o preço do quilo na integração não se alterou, continuando em R$ 5,60. No interior catarinense, a cotação aumentou de R$ 6,40 para R$ 6,80. No Paraná o quilo vivo teve alta de R$ 6,50 para R$ 6,80 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo ficou estável em R$ 5,30.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande teve elevação de R$ 6,25 para R$ 6,50 e na integração o preço ficou inalterado em R$ 5,50. Em Goiânia, o preço aumentou de R$ 7,10 para R$ 7,40. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno avançou de R$ 7,30 para R$ 7,60. No mercado independente o preço cresceu de R$ 7,50 para R$ 7,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis aumentou de R$ 6,25 para R$ 6,60. Já na integração do estado o quilo vivo continuou em R$ 5,50.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 69,046 milhões em dezembro (7 dias úteis), com média diária de US$ 9,863 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 26,971 mil toneladas, com média diária de 3,853 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.559,90.
Em relação a dezembro de 2021, houve alta de 26,8% no valor médio diário, ganho de 10,8% na quantidade média diária e avanço de 14,4% no preço médio. Os dados são do Ministério da Economia e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
“Agência SAFRAS”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

