AGRONEGÓCIOS
Preços do algodão iniciam março em alta com vendedores firmes e foco na próxima safra
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Mercado do algodão registra valorização no início do mês enquanto produtores acompanham desenvolvimento das lavouras e compradores buscam lotes específicos

Os preços do algodão em pluma registram valorização neste início de março no mercado brasileiro, sustentados principalmente pela postura firme dos vendedores. Com parte dos produtores voltados ao desenvolvimento da próxima safra, o ritmo de oferta no mercado spot segue mais restrito, o que contribui para manter as cotações em patamares mais elevados.
Diante desse cenário, compradores que possuem necessidade imediata de aquisição têm demonstrado maior flexibilidade nas negociações, especialmente quando encontram lotes que atendem às especificações de qualidade desejadas.
Vendedores priorizam a próxima safra e limitam oferta no mercado
De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), muitos produtores estão concentrados no acompanhamento das lavouras da nova temporada, o que reduz a disponibilidade de produto no mercado físico.
Além disso, parte dos agentes segue priorizando o cumprimento de contratos a termo já firmados anteriormente, o que também limita o volume disponível para negociações pontuais.
Essa combinação de fatores contribui para sustentar os preços do algodão no mercado interno.
Indicador Cepea registra valorização no início de março
Os dados do Cepea mostram que o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em oito dias, apresentou alta no acumulado parcial de março.
Até o dia 9, o indicador avançou quase 1%, encerrando a segunda-feira cotado a R$ 3,5547 por libra-peso.
O movimento confirma a tendência de valorização observada nas primeiras semanas do mês, em meio à postura mais firme dos vendedores e à demanda pontual por parte de compradores.
Cotação doméstica permanece acima da paridade de exportação
Outro ponto destacado pelos pesquisadores do Cepea é que os preços praticados no mercado interno seguem acima da referência do mercado externo.
Atualmente, a cotação doméstica do algodão está, em média, 3,7% superior à paridade de exportação, fator que reflete a sustentação das negociações no mercado interno.
Mercado internacional acompanha tensões geopolíticas
No cenário externo, os participantes do mercado continuam atentos às tensões geopolíticas e aos possíveis reflexos no comércio global.
Entre os principais pontos monitorados estão os impactos potenciais sobre:
- os preços do petróleo
- os custos do frete marítimo
- o valor dos insumos utilizados na produção agrícola
Esses fatores podem influenciar diretamente os custos logísticos e produtivos do setor, além de afetar o comportamento do comércio internacional da fibra.
Produtores monitoram desenvolvimento da nova safra
Enquanto o mercado segue com negociações pontuais, produtores brasileiros continuam acompanhando de perto o desenvolvimento das lavouras da próxima temporada.
Esse acompanhamento é considerado essencial para avaliar o potencial produtivo da safra e orientar as estratégias comerciais ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

