AGRONEGÓCIOS
Perdas na safra de grãos do Rio Grande do Sul somam 851 mil toneladas
AGRONEGÓCIOS
Estado deixa de produzir 202 mil toneladas de arroz, e importação pode subir 52%
As enchentes provocaram uma queda de 851 mil toneladas na safra de grãos no Rio Grande do Sul. Elas estão concentradas em arroz, soja e trigo. Alguns produtos, apesar do desastre climático sobre o estado, tiveram a estimativa de produção elevada, como é o caso do feijão, em vista de reajuste de área e de produtividade.
Os dados são da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Edegar Pretto, diretor-presidente da entidade, afirmou nesta terça-feira (14) que esses dados deverão ser mais bem avaliados na divulgação de safras de junho.
“Este foi o pior desastre climático do Rio Grande do Sul, e as dificuldades de deslocamento e problemas na comunicação dificultaram a avaliação”, disse.
O arroz, cuja liderança de produção nacional é do Rio Grande do Sul, terá perda de 202 mil toneladas no estado, conforme essa primeira avaliação. A nova estimativa indica produção de 7,27 milhões de toneladas no estado.
Pelo menos 17% da área destinada ao arroz ainda não havia sido colhida antes das chuvas. Deste percentual, 8% foram fortemente impactados pelas enchentes.
Segundo a Conab é necessário avaliar ainda os estragos provocados por inundações em armazéns da região. A capacidade estática de armazenagem em áreas mais afetadas pelas enchentes é de 1 milhão de toneladas, segundo Silvio Porto, diretor de Política Agrícola e de Informações do órgão. A maioria deles estava com soja armazenada.
O desempenho da produção de arroz nas lavouras do Rio Grande do Sul afeta o consumo nacional, uma vez que os gaúchos são responsáveis por 74% da produção nacional. Para este ano, a Conab estima uma produção de 10,5 milhões de toneladas e um consumo de 11 milhões.
O governo já fez uma programação escalonada de importação de até 1 milhão de toneladas do cereal, começando com 104 mil. Na avaliação da Conab, o Brasil deverá buscar 2,2 milhões de toneladas do produto no exterior neste ano, 52% a mais do que em 2023. As exportações serão de 1,2 milhão.
A importação de arroz melhora os estoques finais internos. A estimativa do governo no mês passado era de que o país terminasse o ano com 1,8 milhão de toneladas do cereal nos armazéns. A nova previsão é de 2,3 milhões.
Confirmados esses números, o arroz estocado em dezembro, um período de entressafra, daria para 76 dias de consumo.
A perda na soja é maior, chegando a 457 mil toneladas. A nova estimativa da Conab indica uma safra de 21,4 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, um volume acima de previsões privadas. Elas apontam uma safra próxima de 20 milhões de toneladas.
Segundo a Conab, as máquinas já haviam passado por 75% das áreas plantadas. Ao contrário do que ocorre com o arroz, a perda na produção gaúcha de soja não afeta o cenário nacional, uma vez que houve reavaliação de produção e de produtividade para cima em outros estados.
A produção nacional de soja, estimada em 146,5 milhões de toneladas, em abril, deverá atingir 147,7 milhões nas estimativas desta terça-feira.
O trigo, cereal de destaque no Rio Grande do Sul, ainda é uma incógnita. O plantio deverá começar no final deste mês, mas os produtores não sabem como vão encontrar o solo a ser utilizado. Pretto acredita que vá haver uma redução de área.
Por ora, a Conab prevê uma safra de 4,2 milhões de toneladas do cereal no estado, 46% do volume nacional.
Com os novos números de perda, o Rio Grande do Sul terá uma safra total de grãos de 39,3 milhões de toneladas, 802 mil a menos do que era esperado em abril.
Este volume, no entanto, ainda é 42% superior ao de 2023, quando o estado também havia sido afetado por problemas climáticos.
Mesmo com as perdas no Rio Grande do Sul, a Conab revisou para cima a produção nacional de grãos, Para o órgão público, o país deverá colher 295 milhões de toneladas neste ano, 0,5% a mais do que a estimativa de abril. Em relação ao recorde de 2023, há uma queda de 7,6%.
O clima continua castigando fortemente o país. A estimativa atual de safra da Conab representa uma queda de 24 milhões de toneladas, em relação à de 2023.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) elevou a produção nacional de grãos em 1,2 milhão de toneladas neste mês, para 299,6 milhões.
O instituto ainda não considerou, em seus números, os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul, mantendo estáveis as previsões de produção de arroz, soja e trigo.
“Midianews”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

