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Pequenas lavouras dominam em número, mas grandes produzem a maior parte do feijão no Brasil

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Pesquisa da Embrapa revela concentração da produção em poucas lavouras de grande porte

Publicado em: 03/09/2025 às 10:10hs

Pequenas lavouras dominam em número, mas grandes produzem a maior parte do feijão no Brasil

Foto: Sebastião Araújo

Embora a maioria dos produtores de feijão no Brasil plante áreas pequenas, com menos de cinco hectares, são as grandes lavouras que geram a maior parte da produção nacional, segundo estudo da Embrapa Arroz e Feijão (GO).

Perfil das lavouras de feijão no Brasil

A pesquisa analisou dados do Censo Agropecuário 2017, publicado pelo IBGE em 2023, considerando os seis principais estados produtores: Paraná, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso e Bahia, e os grupos comerciais de feijão preto e cores (carioca, roxinho, mulatinho etc.).

Os pesquisadores classificaram as lavouras em três categorias:

  • Pequenas: áreas menores que 5 hectares;
  • Médias: entre 5 e 50 hectares;
  • Grandes: acima de 50 hectares.

O estudo mostrou que 97% das lavouras são pequenas, distribuídas em 533,5 mil propriedades rurais. No entanto, o tamanho da lavoura não necessariamente reflete o tamanho da propriedade: “O tamanho da lavoura de feijão diz respeito especificamente à área de cultivo e não equivale necessariamente ao tamanho da propriedade rural ou do estabelecimento agropecuário produtor”, explica o socioeconomista da Embrapa, Alcido Wander.

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Concentração da produção em grandes lavouras

Apesar de pequenas lavouras predominarem em número, aproximadamente 3 mil grandes lavouras (0,5% do total) respondem por 75% da produção nacional, cerca de 1,2 milhão de toneladas de feijão.

Além disso, 87% da produção, ou 1,5 milhão de toneladas, foram comercializadas, enquanto 13%, cerca de 200 mil toneladas, ficaram para autoconsumo das propriedades. Entre as pequenas lavouras, o autoconsumo representou 59% da produção de feijão de cor e 38% do feijão preto.

Produção, consumo e exportação

Nos últimos dez anos, a produção de feijão no Brasil oscilou entre 2,5 milhões e 3,4 milhões de toneladas, enquanto as importações se mantiveram próximas a 100 mil toneladas por ano, ajudando a equilibrar o abastecimento interno. O consumo per capita apresentou ligeira queda, chegando a 13,2 quilos por habitante ao ano.

O Brasil também se tornou exportador líquido de feijão, com volumes de 136 mil a 223 mil toneladas desde a safra 2017/18. Na safra 2023/24, foram exportadas cerca de 150 mil toneladas, um aumento de 22% em relação a dez anos atrás, segundo dados da Conab.

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Projeções para o mercado de feijão

De acordo com projeções do Ministério da Agricultura (Mapa), a produção nacional deve cair levemente para 2,9 milhões de toneladas até 2032/33, representando uma redução de 5% em relação à safra 2022/23. O consumo previsto para o mesmo período é de 2,7 milhões de toneladas, com importações estimadas em 65 mil toneladas.

Alcido Wander ressalta que essas projeções podem variar caso haja mudanças no consumo interno ou aumento das exportações, indicando que o mercado de feijão permanece dinâmico e sensível a mudanças nas condições de produção e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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