AGRONEGÓCIOS
Paraná pode registrar produtividade histórica na 1ª safra de milho
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Com rendimento recorde por hectare, Estado também avança no plantio da segunda safra
oram concluídas no Paraná, ambas com aumento de produção. A batata da primeira safra atingiu 584,2 mil toneladas, um crescimento de 48% em comparação às 393,7 mil toneladas do ciclo anterior. A qualidade do produto foi avaliada como boa pelo engenheiro agrônomo Paulo Andrade. Já a cebola registrou um volume de 127,7 mil toneladas, 44% a mais que no período 2023/24, impulsionada pelo bom rendimento da região de Guarapuava, onde a produtividade superou 50 toneladas por hectare.
O tomate da primeira safra já foi 79% colhido, com uma produção estimada em 168,5 mil toneladas. Entretanto, a cultura enfrenta desafios devido a um surto de infecção virótica, possivelmente transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci). Em algumas regiões, quase 100% da produção foi comprometida. Equipes técnicas da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) estão monitorando a situação e prestando assistência aos produtores afetados.
Outras culturas e mudanças no plantio
No Noroeste do Paraná, alguns produtores têm reduzido o plantio de milho da segunda safra para diversificar suas lavouras. A mandioca tem sido uma das principais apostas, com um crescimento de 8% na área cultivada, que passou de 138,6 mil para 150 mil hectares. A expectativa é de uma colheita de 4,2 milhões de toneladas, um aumento de 12% em relação ao ciclo anterior. “A mandioca se adapta melhor às condições de calor, e sua produtividade está sendo favorecida”, explicou o agrônomo Carlos Hugo Godinho.
O tabaco também apresentou expansão na região Sul, onde algumas áreas antes destinadas a grãos foram convertidas para a cultura. A área plantada cresceu 11%, de 73 mil para 81 mil hectares, e a produção esperada é de 199,8 mil toneladas, um recorde para o setor.
Boletim destaca outros setores do agronegócio
O Boletim de Conjuntura Agropecuária do Deral, referente à semana de 21 a 27 de fevereiro, também traz informações sobre o desenvolvimento da alface no Estado e a produção de suculentas. No setor de proteína animal, destaca o aumento no preço da carne de tilápia, dos cortes populares de bovinos e dos ovos. Por outro lado, a carne de frango registrou queda nos preços, enquanto a suinocultura celebra a redução nos custos de produção.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

