AGRONEGÓCIOS
Dólar recua com foco em negociações entre Brasil e EUA; tarifa de 50% gera reação do governo
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Investidores acompanham efeitos do tarifaço imposto pelos EUA, a resposta do governo brasileiro na OMC e o impacto das tensões políticas nas relações bilaterais.
Publicado em: 07/08/2025 às 10:40hs

Foto: Freepik
Dólar abre em leve queda e mercado segue atento a tensões comerciais
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (7) com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 5,4628 por volta das 9h. O movimento vem após a moeda americana encerrar o pregão anterior em baixa de 0,78%, a R$ 5,4631. Já o Ibovespa registrou alta de 1,04%, fechando aos 134.538 pontos.
O mercado segue de olho na resposta do governo brasileiro à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A medida entrou em vigor à meia-noite (horário da costa leste dos EUA) e se estende a produtos de mais de 90 países, em nova ofensiva da Casa Branca para reestruturar cadeias globais de comércio.
Ibovespa e balanços corporativos também no radar
As negociações no Ibovespa tiveram início às 10h, com os investidores também atentos à divulgação dos balanços corporativos do segundo trimestre.
Cenário internacional: Europa em alta e Ásia reage a novas ameaças tarifárias
Nos mercados globais, as bolsas europeias operam em alta, impulsionadas por anúncios de cortes de juros. O Banco da Inglaterra reduziu a taxa básica para 4%, após votação apertada (5 votos a 4), marcando a primeira vez que o comitê precisou votar duas vezes para tomar uma decisão sobre os juros.
Já na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, mesmo diante da ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifa de 100% sobre semicondutores e chips importados.
Inflação medida pelo IGP-DI desacelera em julho
No Brasil, o destaque da agenda econômica é a divulgação do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), que recuou 0,07% em julho, após queda de 1,80% em junho.
Com o novo resultado, o índice acumula:
- Queda de 1,82% no ano
- Alta de 2,91% em 12 meses
O IGP-DI é considerado um indicador com forte sensibilidade às variações do câmbio e aos custos no atacado, sendo calculado entre o primeiro e o último dia de cada mês.
Desempenho do dólar e da bolsa até agora
- Dólar
- Semana: -1,47%
- Mês: -2,46%
- Ano: -11,60%
- Ibovespa
- Semana: +1,59%
- Mês: +1,10%
- Ano: +11,85%
Tarifa de 50% dos EUA entra em vigor sem avanço nas negociações
A medida do governo dos EUA que impõe tarifa de 50% sobre produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (6), sem que houvesse progresso nas tratativas com o Brasil.
Além disso, o mercado monitora o possível impacto da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas negociações diplomáticas. Bolsonaro teve a prisão domiciliar decretada na segunda-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após descumprir medidas cautelares, como o uso de redes sociais.
A prisão ocorre em momento sensível nas relações Brasil-EUA. Donald Trump, atual presidente norte-americano, já defendeu publicamente Bolsonaro, classificando o processo contra ele como “caça às bruxas” e alegando que isso influenciou a decisão de tornar o Brasil o país mais afetado pelo tarifaço.
Trump justificou tarifa por “ameaça à segurança nacional”
Segundo a Casa Branca, a tarifa de 50% foi aplicada porque o governo brasileiro representaria uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.
Governo Lula aciona a OMC contra os EUA
Diante da medida, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos, argumentando que a decisão norte-americana fere acordos internacionais.
Em nota, o Itamaraty afirmou:
“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados”.
O governo brasileiro reiterou estar disposto a negociar e espera que as consultas iniciais tragam soluções diplomáticas.
Pacote de ajuda a setores afetados está em elaboração
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o governo prepara um pacote de apoio para setores impactados pelas tarifas. As medidas devem incluir:
- Linhas de crédito
- Ampliação das compras governamentais
Haddad também adiantou que se reunirá com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na próxima semana.
Impacto deve ser limitado no macro, mas relevante em setores específicos
Analistas do BTG Pactual apontaram que o impacto macroeconômico da tarifa tende a ser limitado, mas alertaram para possíveis efeitos negativos em setores específicos e um agravamento da percepção de risco.
“O escopo das tarifas de 50% será mais brando do que o inicialmente esperado. Embora o impacto macroeconômico direto deva ser limitado, os efeitos setoriais são relevantes e o impacto indireto pode ganhar tração caso haja deterioração significativa da percepção de risco”, apontou o banco em relatório.
Déficit comercial com os EUA persiste pelo 7º mês seguido
Outro dado que chamou atenção foi o resultado da balança comercial brasileira com os EUA em julho. O Brasil acumulou um déficit de US$ 559 milhões, com exportações somando US$ 3,71 bilhões e importações totalizando US$ 4,26 bilhões.
Este é o sétimo mês consecutivo de déficit comercial com os Estados Unidos, o que reforça um cenário desfavorável para a balança comercial brasileira.
A combinação de tarifas impostas pelos EUA, tensões políticas internas e dados econômicos em destaque gera um ambiente de incertezas para o mercado brasileiro. A reação do governo, tanto no campo diplomático quanto econômico, será determinante para os próximos desdobramentos. Enquanto isso, o dólar segue volátil e o Ibovespa se mantém em recuperação, com investidores atentos a cada sinal vindo de Brasília e Washington.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

