Estados com maior peso do agronegócio têm sido aqueles com maior expansão de atividade desde o início da pandemia
O crescimento do PIB dos estados mostra a força do agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Por Sergio Vale.
Entre 2020 e 2022 o Brasil tem vivido os dramas da pandemia. O impacto na economia foi severo e pior ainda o impacto em número de vidas perdidas e famílias desamparadas. Ainda este ano estamos com a pandemia presente no mundo, especialmente na China, que pode afetar as cadeias de distribuição, trazendo novamente impacto em preços. No caso brasileiro, por ora a pandemia parece controlada, a ver se não teremos nenhuma surpresa até o final do ano.
Mas a pandemia trouxe também impactos na economia de outra ordem. Com o forte aumento nos preços das commodities e a igualmente forte depreciação cambial, os preços em reais das commodities dispararam nos últimos dois anos. A renda do setor agropecuário, que historicamente ficava em torno de R$ 600 bilhões por ano saltou em 2021 para R$ 1 trilhão e vai subir mais em 2022. Essa forte expansão no agro fica diluída nos dados agregados de PIB, mas seu impacto fica mais claro quando vemos os impactos regionais.
O PIB estadual tem tido uma ampla variância nos últimos três anos em nossas estimativas. Os estados com maior peso do agronegócio têm sido aqueles com maior expansão de atividade no período. No acumulado de crescimento do PIB nos últimos três anos, os três estados que mais devem ter se expandido foram Mato Grosso do Sul, Tocantins e Goiás, os três com forte presença do agronegócio.

E não podemos minimizar o impacto do setor para esses estados. A cadeia toda do agro, segundo cálculos do CEPEA, está na casa de 28% do PIB atualmente. Mas tem estados, segundo as contas de Carlos Bacha, da Esalq/USP, com peso do setor acima de 60% de seu PIB. Esses resultados podem ser vistos também em outros indicadores, como o de mercado de trabalho do CAGED, que mostra forte expansão de contratação justamente nos estados com maior peso do agronegócio este ano.
Os dez estados que mais cresceram, na verdade, têm forte peso do agro, com exceção de Santa Catarina, que é um estado bastante diversificado e que serve de exemplo do potencial além do agro. Digno de nota é que mesmo com esses estados indo bem, os números são baixos. Crescer 4,9% em três anos acumulados é pouco, mas reflete as dificuldades gerais da economia além das commodities.
Esse é o caso do Rio de Janeiro, que apesar de ter a cadeia de óleo e gás muito relevante no estado, têm dificuldades em crescer além desse setor. A indústria e os serviços do estado têm sofrido com as turbulências políticas do estado, que o faz ser um atrator de investimentos cada vez menor, fora a cadeia de óleo e gás.
Interessante notar que os estados que menos cresceram no período estão concentrados em áreas mais pobres, que não se beneficiaram explicitamente das commodities, e que tiveram pouco estimulo de renda como já tiveram no passado.
Em outros tempos, o Bolsa Família, o salário mínimo e a previdência eram fatores importantes de expansão de renda desses estados. Após o auxílio emergencial em 2020, que ajudou muito a população mais pobre dessas regiões, o impacto em 2021 e 2022 será bem menor. Mesmo com o Auxílio Brasil atual acima do que era o Bolsa Família do passado, a inflação acelerada, que deve acumular cerca de 18% em dois anos (2021 e 2022) tirarão renda disponível dessas regiões.
Politicamente, é interessante observar que o resultado dos estados tende a beneficiar ambos os candidatos que estão na dianteira das pesquisas eleitorais atualmente. No caso de Bolsonaro, os estados do agro já têm uma tendência natural de apoiá-lo que vem desde a eleição de 2018 e que esses resultados reforçam a ideia de que o presidente deve ir bem nas eleições nesses estados.
Por outro lado, Lula deve se beneficiar nos estados mais pobres quem sofrem com baixo crescimento e nível de renda e são os que têm mais saudades dos tempos áureos de crescimento mais forte da região na época de seu governo.
No final, a dinâmica estadual parece mostrar que a disputa política será acirrada este ano, com os dois candidatos mostrando sua força em cada canto do país.
“CNN Brasil”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

