O mercado brasileiro de trigo teve mais uma semana de reportes pontuais de negócios no mercado doméstico de trigo

Movimento é lento no Brasil e Mar Negro traz volatilidade ao mercado global de trigo

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AGRONEGÓCIOS

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento, os moinhos reclamam da fraqueza dos preços da farinha; o produtor segue pouco flexível nas pedidas. O foco segue no plantio e no manejo das lavouras.

 

Conab

O plantio de trigo avançou para 93,6% da área estimada para a temporada 2022/23 nos sete principais estados produtores do Brasil (Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul que representam 99,9% do total), conforme levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados recolhidos até 15 de julho. Na semana anterior, a semeadura estava em 91,5%. Em igual período do ano passado, o número era de 93,6% também.

Paraná

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório semanal, que o plantio da safra 2023 de trigo do estado foi concluído na área estimada de 1,389 milhão de hectares, contra 1,237 milhão de hectares em 2022, alta de 12%.

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Rio Grande do Sul

O plantio de trigo atinge 95% da área no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater/RS, na semana passada, eram 88%. Em igual momento do ano passado, 90%. A média dos últimos cinco anos para o período é de 95%. A área cultivada na safra 2023 está estimada em 1.505.704 hectares, e a produtividade prevista é de 3.021 kg/ha.

Mar Negro

O destaque da semana foi o Mar Negro. O mercado acreditava ter precificado a saída da Rússia do corredor de grãos, uma vez que Moscou vinha fazendo ameaças há semanas e a expectativa era de uma certa normalidade no fornecimento pela região. O acirramento do conflito, no entanto, trouxe muita volatilidade aos preços, justamente num momento em que começavam a se acomodar.

Faz poucas semanas que o trigo em Chicago voltou a patamares pré-guerra. Os bombardeios russos à infraestruturas portuárias ucranianas e a troca de ameaças entre os dois países deixou os traders temerosos quanto à segurança do comércio de grãos pelo Mar Negro.

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O analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento, disse que, mesmo não trazendo riscos imediatos ao abastecimento global, neste momento de entrada de safra global, a guerra e seus desdobramentos seguem gerando volatilidade às cotações. O contrato setembro/23 tocou, na quinta-feira, a resistência de US$ 7,50 3/4 e cedeu. Nesta sexta, os preços estão em forte queda.

Os fundos investidores buscam um melhor posicionamento uma vez que estavam predominantemente vendidos, acreditando na queda dos preços com a pressão sazonal de oferta no Hemisfério Norte. Os bombardeios deflagraram um movimento de cobertura de posições, mas predomina a especulação. Analistas esperam ao menos três semanas de muita tensão e volatilidade.

“Agência SAFRAS”

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AGRONEGÓCIOS

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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