A primeira quinzena da safra 2023/2024 foi marcada por um ritmo mais arrojado da produção em relação ao ciclo anterior. Foram processadas 13,6 milhões de toneladas frente a 5,3 milhões da safra 2022/2023 – o que representa um avanço de 157,3%
Moagem atinge 13,6 milhões de toneladas na primeira quinzena de abril
AGRONEGÓCIOS
Na primeira metade de abril, 105 unidades deram início à safra 2023/2024. Ao término da quinzena, permanecem em operação 165 unidades no Centro-Sul, sendo 154 unidades com processamento de cana-de-açúcar e 11 empresas que fabricam etanol a partir do milho. No mesmo período, na safra 2022/2023, havia 84 unidades produtoras em atividade.
Além do aumento na moagem, o início da safra 2022/2023 registrou uma melhora do nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na primeira quinzena de abril, que atingiu 108,4 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 98,7 kg por tonelada na safra 2022/2023 – variação positiva de 9,18%.
Produção de açúcar e etanol
A produção de açúcar na primeira quinzena de abril totalizou 541,9 mil toneladas. Essa quantidade, quando comparada àquela registrada na safra 2022/2023 de 131,3 mil toneladas, representa um aumento de 312,6%.
Na primeira metade de abril, 767,9 milhões de litros (+94,71%) de etanol foram fabricados pelas unidades do Centro-Sul. Do volume total produzido, o etanol hidratado alcançou 479,9 milhões de litros (+25,5%), enquanto a produção de etanol anidro totalizou 288 milhões de litros – nesse mesmo período na safra 2022/2023 houve uma modesta fabricação de 12,2 mil litros.
Do total de etanol na primeira quinzena da safra que se inicia, 31% foram fabricados a partir do milho, registrando produção de 236,3 milhões de litros neste ano, contra 164,4 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2022/2023 – aumento de 43,72%.
Vendas de etanol
Na primeira quinzena da safra 2023/2024, as unidades produtoras do Centro-Sul comercializaram 940,4 milhões de litros de etanol no mercado interno, registrando um recuo de 8,4% em relação ao mesmo período da safra 2022/2023. Do total vendido domesticamente, 545,9 milhões de litros foram de etanol hidratado (-19,6%) e 394,5 milhões de litros de etanol anidro (+13,5%).
O volume de etanol exportado pelas unidades produtoras na primeira quinzena de abril alcançou 55,7 milhões de litros (+103,4%), sendo 39,2 milhões de litros de etanol hidratado (+278,2%) e 16,5 milhões de litros de etanol anidro (-3,1%).
Ao todo, as empresas venderam 996 milhões de litros na primeira quinzena da safra 2023/2024 (-5,5%), sendo 585,1 milhões de litros de etanol hidratado (-15,1%) e 411 milhões de litros de etanol anidro (+12,8%).
Mercado de CBios
Dados da B3 registrados até o dia 25 de abril indicam a emissão de 9,53 milhões de CBios em 2023. Até a data supracitada, a parte obrigada do programa RenovaBio havia adquirido cerca de 42,93 milhões de créditos de descarbonização. Esse valor considera o estoque de passagem da parte obrigada em 2021 somada com os créditos adquiridos em 2022 e 2023, até o momento, estejam eles ativos ou aposentados. O horizonte temporal selecionado cobre as aquisições que compreenderão os créditos utilizados para atendimento das metas de 2022, cujo prazo havia sido postergado, e 2023.
“UNICA”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

