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Mercado do trigo em 2025: oferta global amplia pressão sobre preços, diz relatório do Itaú BBA
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Relatório do Itaú BBA aponta que a expansão da produção mundial mantém os preços do trigo sob tendência de queda, impactando mercados internacionais e brasileiros.
Publicado em: 13/08/2025 às 20:00hs

O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresenta uma análise detalhada sobre o cenário do mercado de trigo, destacando o impacto da ampla oferta global nos preços internacionais e internos, além do avanço do plantio para a safra 2025/26.
Oferta global elevada mantém preços do trigo pressionados
O mercado internacional de trigo seguiu com tendência baixista durante julho e início de agosto, influenciado pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte. Em Chicago, o contrato para o trigo soft manteve-se estável em julho, negociado a USD 5,42 por bushel, mas apresentou queda de 1,3% nos primeiros dias de agosto, chegando a uma média de USD 5,14 por bushel entre 1º e 7 de agosto.
Esse movimento reflete o bom desempenho da colheita de trigo de inverno nos Estados Unidos e condições satisfatórias para o trigo primavera, embora inferiores às do ano passado.
Na Rússia, a seca no sul preocupa, podendo afetar a produção, mas outras regiões apresentam resultados sólidos. A comercialização, apesar de atrasada pela colheita tardia, deve resultar em um volume exportável robusto, mantendo a pressão sobre os preços globais à medida que as vendas avancem.
Preços domésticos seguem em baixa e importações da Argentina continuam fortes
No Brasil, os preços do trigo mantiveram trajetória de queda, com baixa liquidez no mercado à vista. No Rio Grande do Sul, o preço médio do cereal foi de R$ 76,91 por saca de 60 kg em julho, 2% menor que em junho. Essa redução ocorre desde maio, influenciada pela paridade de importação desfavorável ao produto nacional.
A Argentina segue como principal fornecedora, respondendo por 84% do volume importado no mês. A ampla oferta do país vizinho favorece os embarques ao Brasil e contribui para a competitividade dos preços no mercado interno.
Produtores brasileiros mostram-se cautelosos devido à baixa oferta da safra antiga e preços reduzidos. Moinhos também adotam postura conservadora nas compras, com estoques considerados suficientes para o período e mercado de farinha enfraquecido. Contratos para a próxima safra já começam a ser negociados.
Safra 2025/26: plantio finalizado e clima será decisivo para produtividade
O plantio da safra 2025/26 foi concluído em agosto, com bom avanço durante julho, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o desenvolvimento das lavouras está favorável após chuvas que atrasaram o início do plantio em junho.
No Paraná, a geada ocorrida no final de junho afetou a produtividade no norte do estado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a área cultivada totalizou 2,5 milhões de hectares, 17% abaixo da safra anterior. A produção esperada é de 7,8 milhões de toneladas, praticamente estável (-1%) em relação a 2024/25, mas com expectativa de ganho de produtividade de 19%.
A relação de troca não está favorável para os produtores, sobretudo em relação à ureia, que apresentou preços acima da média dos últimos cinco anos em junho e julho. Essa situação, combinada com a baixa capitalização, limitou as aplicações de insumos por parte dos agricultores que não se programaram com antecedência.
Até o momento, as condições climáticas têm sido positivas para o desenvolvimento das lavouras, o que pode garantir bons rendimentos caso o clima permaneça estável nos meses críticos de agosto e setembro.
Argentina finaliza plantio com boa perspectiva e deve manter oferta elevada
Na Argentina, o plantio da safra 2025/26 também foi concluído, com 96% das áreas apresentando condições normais a excelentes até o final de julho. O país vizinho deverá continuar oferecendo volumes significativos de trigo ao Brasil, que segue dependente das importações para suprir sua demanda interna.
A elevada oferta argentina deve manter os preços competitivos, pressionando a paridade de importação e limitando a valorização do trigo nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

