AGRONEGÓCIOS
Mercado de Soja: Projeções Estáveis nos EUA e Revisões para Baixo na Argentina
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Relatório do USDA mantém estimativas para a produção mundial, enquanto Brasil segue com safra recorde e Argentina ajusta suas expectativas
A semana foi marcada por poucas novidades para o mercado de soja, tanto no Brasil quanto no exterior, com o relatório de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) gerando um impacto moderado. No Brasil, a colheita avança com a confirmação de uma safra recorde, enquanto na Argentina, as projeções de produção são revistas para baixo.
O relatório de março do USDA estimou a safra norte-americana de soja para o ciclo 2024/25 em 4,366 bilhões de bushels, o que equivale a 118,82 milhões de toneladas, mantendo-se inalterado em relação ao relatório de fevereiro. A produtividade foi fixada em 50,7 bushels por acre.
Em relação aos estoques finais, o USDA projetou 380 milhões de bushels (10,34 milhões de toneladas), um número ligeiramente inferior à expectativa de 381 milhões de bushels (10,37 milhões de toneladas) do mercado. A previsão de esmagamento também foi mantida em 2,410 bilhões de bushels, assim como a projeção para as exportações, que permaneceu em 1,825 bilhões de bushels.
O relatório manteve a estimativa para a safra mundial de soja em 2024/25 em 420,76 milhões de toneladas, o mesmo valor indicado no mês anterior, enquanto a previsão para 2023/24 foi ajustada para 394,97 milhões de toneladas. Já os estoques finais globais para o próximo ciclo foram projetados em 121,41 milhões de toneladas, abaixo da expectativa do mercado de 124,2 milhões de toneladas. Para 2023/24, a estimativa é de 112,5 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA manteve as previsões de produção em 153 milhões de toneladas para a safra 2023/24 e 169 milhões para 2024/25. O mercado aguardava uma leve revisão para cima da produção brasileira em 2023/24, para 169,3 milhões de toneladas. Na Argentina, a estimativa de produção para 2023/24 foi mantida em 48,21 milhões de toneladas, e para 2024/25, o número foi ajustado para 49 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da previsão anterior de 48,6 milhões de toneladas.
Em relação às importações chinesas de soja, o USDA manteve a previsão de 112 milhões de toneladas para 2023/24, e para a próxima temporada, a estimativa permaneceu em 109 milhões de toneladas.
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou que a produção de soja alcance 167,37 milhões de toneladas na safra 2024/25, representando um aumento de 13,3% em relação à temporada anterior, que teve uma colheita de 147,72 milhões de toneladas. A área cultivada deve atingir 47,45 milhões de hectares, com uma elevação de 2,8% sobre a temporada anterior. A produtividade estimada é de 3.527 quilos por hectare, um aumento de 10,2% em comparação ao rendimento de 3.201 quilos por hectare na safra 2023/24.
Na Argentina, a Bolsa de Comércio de Rosário revisou para baixo a expectativa de safra de soja para o ciclo 2024/25, agora estimada em 46,5 milhões de toneladas, contra os 47,5 milhões de toneladas previstos anteriormente. Essa revisão negativa reflete as condições climáticas desfavoráveis, como a falta de chuvas, que impactaram diversas áreas de produção.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

