AGRONEGÓCIOS
Mercado de café brasileiro enfrenta pressão por exportações lentas e tarifas internacionais
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Exportações apresentam queda significativa em 2025
Publicado em: 21/08/2025 às 20:00hs

O mercado de café brasileiro segue pressionado por fatores internos e externos, com destaque para o ritmo lento das exportações. Segundo atualização mensal do Rabobank Brasil, elaborada pelo analista Guilherme Morya, em julho o país embarcou 2,7 milhões de sacas de 60 kg, volume 5% superior ao de junho, mas 28% menor em relação a julho de 2024.
No acumulado de 2025, as vendas externas somam 22,2 milhões de sacas, uma redução de 21% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Estados Unidos mantêm posição como principal destino, mas retração preocupa
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do café brasileiro, com 3,7 milhões de sacas adquiridas, embora representem uma queda de 18% em relação a 2024.
A partir de agosto, projeta-se redução nas compras americanas, motivada pela tarifa de 50% sobre o café brasileiro, que deve levar a indústria local a consumir estoques por até 90 dias antes de retomar negociações. A medida aumenta a incerteza sobre os fluxos de comércio e pode gerar rearranjos na oferta global.
Preços e relação de troca apresentam leve recuperação
Apesar das pressões externas, a relação de troca apresentou leve melhora em agosto, exigindo 1,6 saca de café para comprar uma tonelada de fertilizante, frente a 1,7 saca em julho.
Entre 1º e 13 de agosto, os preços subiram 4% para o arábica e 13% para o conilon, impulsionados por:
- estoques apertados;
- exportações aquém do esperado em algumas origens;
- episódios de geadas leves a moderadas no Cerrado Mineiro, que levantam dúvidas sobre a produtividade da próxima safra.
O avanço recente da commodity compensou a alta de insumos, especialmente a ureia, que vinha pressionando os custos de produção.
Cenário internacional adiciona volatilidade ao mercado
No mercado global, fatores geopolíticos e regulatórios também impactam a commodity. Entre eles:
- Interrupções no Mar Vermelho;
- Tarifa americana sobre o café brasileiro;
- Regulação de Desmatamento da União Europeia (EUDR).
A antecipação de compras pela UE em 2024 já resultou em estoques crescentes no bloco, e os efeitos futuros dependerão da adaptação dos importadores às novas regras europeias.
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

