A comercialização de soja de Mato Grosso alcançou 4,92% da produção esperada para a próxima safra 2023/24, que será plantada a partir de setembro, avanço mensal de 2,08 pontos, mas atrás do ritmo de anos anteriores, disse o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira.
Mato Grosso vende 5% da soja esperada para 23/24, diz Imea; inicia negociação de milho
AGRONEGÓCIOS
Os agricultores do Estado iniciaram as vendas de milho 2023/24, com 1,78% safra esperada já negociada, mas também com atraso.
“O atraso é pautado pela mudança do perfil do produtor, que tem segurado o grão visando preços maiores”, afirmou o instituto ligado aos agricultores em boletim à parte sobre a soja.
Quanto ao milho, “essa demora nas negociações está atrelada ao atraso na comercialização dos insumos, visto que as primeiras vendas são realizadas em forma de barter”, disse.
No mesmo período do ciclo anterior, 16,28% da soja e 6,51% do milho estavam vendidos. A média histórica para esta época do ano para a comercialização antecipada da oleaginosa e do cereal é de 12,49% e 6,87%, respectivamente.
O Imea também informou que foram negociados 6,27% da produção esperada para o algodão de 2023/24, versus 14,26% um ano antes e média histórica de 13,38%.
“Esse cenário de atraso, atrelado ao menor avanço mensal, é pautado pela mudança de conduta do cotonicultor em aguardar cotações mais atrativas para negociar a sua pluma.”
CICLO ATUAL
Para a safra atual, de 2022/23, o Imea informou que as vendas de soja chegaram a 52,26% da produção, crescimento de 7,11 pontos na variação mensal e também com atraso sobre os últimos anos.
“O ritmo (mensal) das vendas aumentou devido aos bons resultados produtivos nas lavouras do Estado, o que motivou o produtor a negociar mais”, afirmou o instituto.
Um ano antes, este número estava em 62,19% e a média histórica é de 67,21%, de acordo com os dados.
No caso do milho 2022/23, cujo plantio está sendo finalizado em Mato Grosso, as vendas atingiram 30,04% da safra esperada, contra 48,48% um ano antes e média histórica de 50,63%.
Segundo o instituto, o incremento mensal de 4,87 pontos nos negócios do cereal se deu devido ao otimismo em relação à produção, uma vez que cerca de 80% das lavouras mato-grossenses foram semeadas dentro da janela ideal.
Os produtores do Estado ainda venderam 60,54% da produção esperada para o algodão desta safra, abaixo dos 64,50% de um ano antes e da média histórica, fixada em 68,62%.
As vendas de algodão tiveram um avanço mensal de 2,25 pontos percentuais.
“Cabe destacar que as desvalorizações observadas nos preços da pluma nos últimos meses foram o principal fator que desmotivou novos negócios no Estado”, ponderou.
“Reuters”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

