Em reunião da FPA-MT e Fórum Agro MT, secretário adjunto da Receita Pública apresentou impactos da reforma a parlamentares e lideranças do Setor Produtivo

Mato Grosso pode perder mais de R$ 100 bilhões com Reforma Tributária

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AGRONEGÓCIOS

Com o maior Valor Bruto da Produção Agropecuária, (VBP) do país em 2022, com R$ 224,81 bilhões, de acordo com estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mato Grosso será um dos maiores prejudicados com a Reforma Tributária com base no texto que está sendo debatido no Congresso. Em alerta com o assunto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA-MT) e o Fórum Agro MT reuniu lideranças do setor produtivo e parlamentares para receber o secretário adjunto da Receita Pública, Fábio Pimenta que apresentou os impactos da reforma tributária para Mato Grosso. 

Dentre os principais pontos do texto, o secretário destacou a mudança da tributação do local da produção para o local do consumo, criação dos tributos sobre o valor adicionado, o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS) para Estados e Municípios, e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) para a União, e extinção de cinco tributos atuais; IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS. De acordo com estimativa do Governo, Mato Grosso poderá perder até R$ 100 bilhões ao longo de 40 anos com a proposta da Reforma Tributária. 

“Os estados produtores, principalmente Mato Grosso, vão deixar de arrecadar ICMS na venda de seus produtos, o que causará um grande impacto na sua arrecadação, algo em torno de oito bilhões ao ano, com essa atual proposta da reforma tributária. Buscamos uma solução para isso, com uma transição longa para distribuição desses recursos, e para garantir os incentivos fiscais até 2032, além de trazer segurança jurídica para todo o setor produtivo, e garantir a arrecadação do estado durante o período de transição”, pontuou Fábio Pimenta.  

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De acordo com estimativa do Governo, Mato Grosso poderá perder cerca de 30% de sua receita de ICMS, além de outras contribuições não-tributárias, com uma perda anual, ao final da transição, de quase oito bilhões de reais ao ano. 

O secretário reforça que é preciso fazer alterações na atual proposta para que Mato Grosso continue no caminho do desenvolvimento, principalmente para fomentar o setor produtivo, o comércio, as indústrias e solucionar os problemas logísticos que o estado enfrenta para escoar sua produção. 

Já para o deputado estadual e coordenador da FPA-MT, Dilmar Dal Bosco, a reforma promete simplificação e redução de tributos, mas o que não explicita é que a arrecadação irá para os estados consumidores, com grandes populações, o que trará prejuízos imensos aos estados que produzem, como é o caso de Mato Grosso.  

“Mato Grosso é um estado novo, tem muito ainda a se desenvolver e crescer, e com essa diminuição na arrecadação ficará muito mais difícil de isso acontecer. A forma que está, com transição a curto prazo, será prejudicial para os estados que produzem, e a atual legislatura, bem como a FPA, vai apoiar e reforçar o pedido de alteração no texto que está em discussão para evitar que o estado seja prejudicado”, afirmou. Em outras palavras, Mato Grosso terá menos recursos para investimentos, para a saúde, para a educação e para toda a manutenção do Estado. 

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O presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa apontou que a mudança é prejudicial não somente para o setor produtivo, como para toda a população do estado. “É realmente preocupante para o estado essa proposta, principalmente pela força do setor produtivo em gerar riquezas e produtos, mas que em sua grande maioria são vendidos para outros centros. Além do corte dos incentivos para os setores produtivos, que também é responsável pelo crescimento e desenvolvimento do estado até aqui, sem dúvida o social também será afetado”, explicou. 

Segundo dados da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), o agronegócio é responsável por 21,36% do PIB do Estado. Ainda, 35 dos 100 municípios mais ricos do agronegócio brasileiro estão na região. 

O deputado estadual e membro da FPA, Diego Guimarães destacou a importância do debate para evitar que Mato Grosso seja penalizado com a reforma. “Nosso estado já provou sua relevância e contribuiu para que a balança comercial do país registrasse saldo positivo, principalmente pela nossa produção agrícola. Precisamos agora fomentar esse debate, principalmente com nossos representantes no Senado, para que a reforma seja alterada e termine em uma proposta boa para todos”. 

Também participaram da reunião os deputados Gilberto Cattani, Reck Junior, Faissal Calil e Valter Miotto, além de lideranças do setor produtivo como representantes do Sistema Famato, Acrismat, Aprosmat, Ampa, Acrismat e Sistema OCB. 

“FPA-MT”

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AGRONEGÓCIOS

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

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Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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