As diminuições nas áreas plantadas nas duas últimas temporadas vêm limitando a oferta de raiz de mandioca ao longo deste ano
MANDIOCA: Menor oferta e demanda firme impulsionam preços da raiz e da fécula
AGRONEGÓCIOS
Pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, indicam que a baixa oferta da matéria-prima tem sido reforçada também pelo clima desfavorável no ano passado – geadas, seca e altas temperaturas em alguns períodos –, que prejudicaram a produtividade e, sobretudo, reduziram o teor de amido das raízes. E este último caso, por sua vez, faz com que fecularias necessitem aumentar o volume de esmagamento de raiz para conseguir manter a oferta de fécula estável.
Levantamento do Cepea mostra que, no primeiro semestre, o esmagamento de mandioca pela indústria de fécula totalizou 1,16 milhão de toneladas, crescimento de 7% na comparação com o mesmo período de 2021. Por outro lado, a extração de amido pela indústria de fécula caiu de 27% no primeiro semestre de 2021 para 24,5% de janeiro a junho de 2022. Como resultado, houve queda de 3,4% na produção de fécula entre a primeira metade de 2021 e o mesmo período deste ano.
Este cenário vem elevando os preços da raiz de mandioca e dos derivados, que operam nos maiores patamares nominais das respectivas séries históricas do Cepea, iniciadas em janeiro de 2002. Para a mandioca, dados do Cepea mostram que a média de negociação no primeiro semestre deste ano foi de R$ 779,90/t (R$ 1,3563 por grama de amido), com alta de 76% frente à de janeiro a junho de 2021. Em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI), a elevação é de 54%. Quanto à fécula, na primeira metade do ano, o valor médio (FOB fecularia) foi de R$ 4.243,26/tonelada (R$ 106,08 por saca de 25 kg), avanço de 70,9% frente ao mesmo período de 2021. Em termos reais, o aumento é de 49,2%.
Cálculos do Cepea mostram que o consumo aparente de fécula nos primeiros meses de 2022 foi de 269,6 mil toneladas, queda de 1,7% na comparação com igual período do ano passado. A soma do consumo aparente com as exportações do derivado ao longo do semestre é de 293,7 mil toneladas, 1,8% acima da do mesmo período de 2021 – e também superior à produção acumulada. Diante disso, houve dificuldades de a indústria de fécula formar estoques, e estas unidades encerraram o primeiro semestre com volume médio de estoque 10% menor que o de janeiro a junho de 2021.
No front externo, a demanda internacional aquecida mantém as exportações de fécula em bom ritmo. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram 24 mil toneladas escoadas no período, 66% a mais que na primeira metade de 2021. O preço médio do derivado brasileiro aumentou 20,8% na mesma comparação.
Nos atuais patamares de preços – sem considerar a rentabilidade –, parte dos agricultores tem sinalizado aumentar a área plantada na temporada 2022/24. Entretanto, o desafio maior ainda são os custos de produção, que certamente deverão ser superiores aos das últimas safras. Em um quadro de inflação, a indústria de fécula tem dificuldades em repassar as valorizações da matéria-prima, seja para o varejo ou para os segmentos industriais. Assim, as margens devem continuar apertadas para as fecularias, o que pode acarretar em mais avanços na verticalização da produção ao longo deste ano.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

