O mercado de leite reagiu substancialmente nos últimos meses, tanto os preços recebidos pelos produtores quanto nos elos seguintes da cadeia
LEITE: preços reagiram em toda a cadeia
AGRONEGÓCIOS
O mercado de leite reagiu substancialmente nos últimos meses, tanto os preços recebidos pelos produtores quanto nos elos seguintes da cadeia. No caso do produtor, o preço recebido no início de agosto, referente à produção entregue em julho alcançou os R$ 3,19/litro na média Brasil segundo a medição do Cepea, o que significou elevação de 38% sobre o mesmo mês do ano anterior, marcando um novo recorde real. Já no mercado spot, negociações entre indústrias, a matéria prima passou dos R$ 4,00/litro reforçando a indicação de mercado bastante aquecido.
Por trás dessas elevações está a redução de oferta de leite ao longo do primeiro semestre, lembrando que nos três primeiros meses do ano, segundo o IBGE, a captação contraiu 10% frente ao 1T21. A próxima divulgação, que ocorrerá neste mês, referente ao segundo trimestre, deve mostrar novamente contração no comparativo anual, algo que não surpreende dada a pressão de custos que impactou o produtor desde o final do ano passado, especialmente nos componentes da ração. No RS, por exemplo, o produtor de leite precisou de um volume próximo de 50 litros no primeiro trimestre para adquirir uma saca de milho, com esta relação em julho tendo voltado aos 30 litros/saca, melhora que também ocorreu em outros estados produtores.
Vale destacar que o alívio desta relação de troca sob a ótica do produtor de leite, além da alta do produto, também teve a ajuda do cereal, que acomodou em até 18% em MG e SP, por exemplo, entre março e julho.
Laticínios
Interessante observar que, para a indústria, apesar da menor oferta da matéria prima e consequente disputa entre os laticínios, que refletiu nos preços do mercado spot, os derivados lácteos no atacado também imprimiram forte alta nos últimos meses assim como ao consumidor final, sendo um dos destaques recentes nos índices de inflação. Dois importantes produtos na cesta de lácteos, o UHT e a muçarela, subiram 60% e 44% na média de junho frente a de janeiro deste ano. E com estas altas (até junho) superiores ao leite cru, os spreads da venda desses derivados reagiram fortemente, em ambos os casos, acima da média histórica e no melhor patamar em dois anos.
Há um ano, escrevemos sobre o setor no Radar Agro com o título “Difícil para todos no mercado de leite”, enquanto neste momento poderíamos classificar como, pelo menos, “Alívio para todos, exceto para o consumidor final.” Olhando Preços no atacado para frente Entendemos que esta elevação dos preços na cadeia láctea reflete muito mais a contração da oferta do que melhora de demanda. E com a pressão neste momento bem maior sobre o consumidor final, é possível que observemos redução da demanda, lembrando que uma característica da procura por lácteos é sua sensibilidade à atividade econômica.
Entretanto, a ajuda governamental que deve vir tende a moderar este impacto. Já do lado da oferta, as forças mudam a partir de agora, com uma gradual elevação, primeiramente no Sul em função da sazonalidade das chuvas na região e a partir do último trimestre também no Sudeste, além de uma possível reação da captação diante da melhora da relação de troca ao produtor.
A entrada de uma boa safrinha de milho com alívio nos preços do cereal ajudarão o produtor de leite a elevar gradualmente a oferta até o retorno das chuvas, quando as condições de produção melhoram ainda mais. Um ponto de atenção é o cenário de La Niña se fortalecendo para o último trimestre, que enseja maior atenção sobre a Região Sul.
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

