O Brasil é um dos quatro países do mundo considerados livres da doença, mas já registrou 77 focos em aves silvestres e dois em criações de subsistência

Indústria de aves reduz produção e revê acordos em plano de contingência contra gripe aviária

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A indústria brasileira de processamento de aves tem reduzido a sua produção como parte de um plano de contingência para reduzir os impactos de eventual caso de gripe aviária em granjas comerciais. O Brasil é um dos quatro países do mundo considerados livres da doença, mas já registrou 77 focos em aves silvestres e dois em criações de subsistência.

Embora os episódios não causem efeito no status sanitário do Brasil no mercado internacional, provocou a suspensão das importações japonesas de produtos oriundos do Espírito Santo e, mais recentemente, de Santa Catarina – Estados onde houve casos de gripe aviária em granjas de subsistência.

“Eu não tenho números, mas eu vejo as empresas fechando plantas temporariamente porque se tiver influenza aviária vai dar problema e aproveitando para fazer as reformas que têm que fazer e ficar com um colchão de ação”, destacou, nesta quarta-feira (16/08), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Além da suspensão das atividades, as empresas também adotam a redução do peso e do volume de aves abatidas como forma de aumentar o tempo de permanência no campo. Com isso, caso haja uma interrupção temporária das exportações, o setor teria espaço para adaptar seu ritmo de produção diante de um choque negativo na demanda.

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“Esse é um movimento preventivo que as empresas fazem. Algumas reportam [corte de] 5%, outras 10%, outras 15%. A gente está estimando uma produção que deve ficar entre 14,8 milhões e 14,95 milhões de toneladas do que antes se esperava ser acima de 15 milhões. Então ela cai na casa de 2 a 3%”, detalhou Santin.

Ainda de acordo com o executivo, a suspensão japonesa das exportações de Santa Catarina, segundo maior produtor do país, acendeu um alerta para as empresas no último mês. “Elas se deram conta que este é um fato que pode acontecer. Nós rezamos para que não aconteça, mas pode dar influenza no Brasil”.

Protocolos sanitários

Outra medida de contingência tem sido a renegociação dos protocolos sanitários firmados com importadores da carne de frango brasileira. O pleito do setor e levado pelo governo brasileiro em suas missões diplomáticas é de que os eventuais embargos provocados por focos da doença sejam regionalizados no país.

“Estão sendo enviados documentos para as embaixadas para se troque os certificados e o Brasil, se um dia tiver caso de gripe aviária em ave comercial, possa segregar somente o local do surto”, explica Santin. De acordo com o executivo, o pedido brasileiro é que a segregação seja realizada no raio de 10 quilômetros do foco, seguindo as regras da Organização Mundial de Saúde Animal.

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“Depois disso, se não for possível essa restrição, que seja por município e, depois, por Estado, zonas ou compartimento”, detalha o presidente da ABPA ao considerar a recente suspensão japonesa às exportações do Espírito Santo como um “teste”.

Segundo Santin, entre 70% e 80% desses certificados já foram revisados, incluindo Arábia Saudita, Coreia e Japão, que passaram a reconhecer a regionalização por Estado e analisam o pedido brasileiro para que esse recorte seja por município.

“Esse é um procedimento que vamos continuar a fazer em países que ainda não mudaram seus certificados como África do Sul ou México. O Brasil está trabalhando nisso para atingir todos”, completa o executivo.

“AviSite”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

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Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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