O mercado brasileiro de trigo segue com poucos negócios no momento. Os agentes se mostram cautelosos, estudando as melhores opções de ação neste período de entressafra
Formação de preços do trigo é equilibrada no Brasil, mas negócios seguem pontuais
AGRONEGÓCIOS
Conforme o analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento, a tendência de queda dos preços parece ter cessado. No entanto, estes seguem pressionados pelo bom desenvolvimento da safra atual, pela retração do dólar e pela fraqueza nos referenciais internacionais. Assim, os moinhos, bem abastecidos, portanto, sem necessidade de aquisições imediatas, parecem levar vantagem.
Por outro lado, os produtores vêm elevando suas pedidas no mercado interno, apesar da carência de argumentos fortes que baseiem esta postura de pouca flexibilidade de negociar em patamares menores. A presença de compradores internacionais e até mesmo do Nordeste no mercado gaúcho dá confiança aos vendedores.
“Para a safra nova, contudo, mantido o potencial de produção, com boa qualidade, não há como não pensar num cenário de acomodação das cotações em relação aos preços atuais”, analisou. Bento destacou o reporte de negócio a R$ 1.300/t FOB Rio Grande do Sul nesta quinta-feira. “Porém, ainda é cedo para dizer que os compradores estão adotando uma postura mais flexível”, disse
Plantio
Enquanto isso, seguem os trabalhos de plantio no Brasil. Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento, a semeadura atingia 60% da área nos sete principais estados produtores do país, até 20 de junho. Na semana anterior, eram 47%. Em igual momento do ano passado, pouco mais de 55%.
No Paraná, conforme o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do estado, o plantio chegava a 83% até 20 de junho. O avanço intersemanal foi de apenas 1 ponto percentual devido às chuvas da semana passada. Conforme levantado pela Agência SAFRAS, as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento, de um modo geral
O plantio de trigo atingia 55% da área no Rio Grande do Sul, até 22 de junho. Segundo a Emater/RS, na semana passada, eram 50%. Em igual momento do ano passado, 57%. A média dos últimos cinco anos para o período é de 63%.
“Agência SAFRAS”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

