O mercado físico brasileiro de algodão teve uma semana com a demanda mais presente, porém com volume moderado. As cotações tiveram uma melhora ao longo da semana, informou a SAFRAS Consultoria
Demanda foi mais presente no mercado doméstico de algodão, mas volume foi moderado
AGRONEGÓCIOS
O valor pago pela indústria para a pluma colocada dentro do armazém em São Paulo ficou cotado em torno de R$ 3,78/libra-peso nesta quinta-feira (13), uma alta de 3,51% em relação a semana passada, quando a pluma estava cotada a R$ 3,52/libra-peso.
No FOB porto de Santos, o algodão também ficou mais caro na comparação com a semana passada. Encerrou o dia 13 negociado a 77,16 centavos de dólar/libra-peso ante 72,68 centavos de dólar/libra-peso da quinta-feira anterior (06). Diante das perdas nas semanas anteriores, o vendedor brasileiro buscou ser mais competitivo, aparecendo mais no mercado. Diante disso, o prêmio referencial em Santos seguiu negativo, indicado em -4,52 centavos de dólar/libra-peso, enquanto há uma semana era -7,19 centavos de dólar/libra-peso contra ICE US.
De qualquer forma, o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, pondera que a expectativa de uma boa safra e o grande volume de algodão remanescente na mão do produtor continuam pesando contra os preços da fibra no mercado doméstico. “Com isso, o preço do algodão deflacionado pelo IGP-M volta a se inclinar negativamente e já trabalha abaixo do preço praticado em igual período de 2020, primeiro ano da pandemia”, exemplifica. “A junção de aumento da oferta (futura e disponível) e uma demanda fraca explica a fraqueza da curva de preço de algodão. E com isso, o mercado sai da mão do produtor e volta ao comprador”, acrescenta.
Exportações
O Brasil exportou 60,3 mil toneladas de algodão em junho de 2023. O volume foi 3,8% menor que o total embarcado em igual mês do ano passado. Assim, no acumulado no ano comercial 22/23, que iniciou em agosto do ano passado e alcança em junho o 11o mês da temporada, as exportações somaram 1,377 milhão de tonelada, o que corresponde a queda de 17,2% na comparação com o mesmo período do ciclo passado.
“Agência SAFRAS”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

