O quarto levantamento da DATAGRO Grãos para a safra de soja 2022/23 da América do Sul confirma o aumento de produção do continente em relação à temporada anterior: 190,46 milhões de toneladas, abaixo da projeção de março, que indicava 193,52 mi de t, mas 3% acima das 185,60 mi de t colhidas em 2021/22
DATAGRO Grãos aponta safra 2022/23 de soja da América do Sul em 190,46 mi de t
AGRONEGÓCIOS
A área semeada com a oleaginosa ficou em 66,54 milhões de hectares, 3,2% superior à safra anterior, o que corrobora o relatório de intenção de plantio da consultoria e marca um novo recorde histórico. Porém, as severas perdas devido à escassez de chuvas fizeram com que a área efetivamente colhida fosse reduzida para 63,69 mi de ha, levemente aquém dos 64,50 mi de ha da temporada 2021/22 – perdas de 2,50 mi de ha Argentina, 300 mil ha no Uruguai e 50 mil ha na Bolívia.
Para o Brasil, maior produtor global de soja, estima-se 155,91 mi de t, avanço de 12% sobre o recorde de 138,82 mi de t registrado na safra 2020/21. Este é o 16º ano consecutivo de ampliação na área brasileira do grão, passando de 42,16 mi de ha para 44,40 mi de ha.
A área plantada de soja na Argentina na temporada 2022/23 ficou em apenas 16,0 mi de ha, sendo o terceiro ano seguido de recuo, com baixa de 1% ante 2021/22. Por causa do clima irregular, a área colhida caiu para apenas 13,5 mi de ha (-16%). A produção está avaliada em 21,5 mi de t, 50% inferior à safra 2021/22 e 57% abaixo da estimativa inicial – o pior resultado do país desde 1999/00.
Em relação à área do Paraguai, a DATAGRO Grãos estima 3,45 mi de ha, contra o recorde de 3,76 mi de ha de 2021/22; a produção é apontada em 9,10 mi de t, no somatório das safras de verão e de inverno, ante 4,54 mi de t em 2021/22.
Para a Bolívia, o levantamento indica que a área plantada atingiu um novo recorde, passando de 1,45 mi de ha para 1,49 mi de ha, mas em virtude da combinação de seca no início e excesso de chuvas no final, a área efetivamente colhida está caindo para 1,44 mi de ha. A produção recuou da estimativa anterior de 3,50 mi de t para 3,14 mi de t, 26% abaixo do ciclo 2021/22.
No Uruguai, a área semeada avançou 5%, para 1,22 mi de ha, contudo, devido ao clima irregular, a área colhida foi reduzida para 900 mil ha, perda de 21% ante a temporada anterior. A produção caiu para 800 mil t, 77% aquém da projeção inicial, de 3,430 mi de t, e 75% abaixo de 2021/22.
Começa a colheita do milho de inverno no Centro-Sul do Brasil
A colheita do milho de inverno no Centro-Sul do Brasil alcançou 8,8% da área estimada para a região até o dia 23 de junho, avanço semanal de 4,9 pontos percentuais, mostra levantamento da DATAGRO Grãos. O fluxo se encontra muito abaixo dos 19,3% observados em igual momento do ano passado e dos 14,1% da média dos últimos cinco anos. “Por enquanto, os trabalhos estão concentrados no Mato Grosso, com 18% da área já colhida, mas também inferior aos 23,9% da média normal”, comenta Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de pesquisa da DATAGRO Grãos.
“DATAGRO”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

