Com chuvas que se alongaram por um período maior, os produtores de algodão do Mato Grosso se arriscaram mais, plantaram do início de janeiro a meados de fevereiro e tiveram uma das melhores médias históricas da cultura registradas no estado: rendimento de fibra de 42% (média de 38% a 40% nos últimos anos) e 350 arrobas por hectare (em 2022 foram 250 arrobas). Houve, assim, uma performance melhor da cultura

Cultivares superprecoces de soja podem salvar janela de plantio da safrinha de algodão ou milho

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Se de um lado o produtor ganhou com o rendimento maior de plumas, por outro teve a capacidade de colheita comprometida. O que era para acontecer até 20 de agosto se prolongou para a primeira dezena de setembro, atrasando as demais operações no campo.

“Por essa razão, o plantio da soja chegou com atraso. O que deveria ter ocorrido até 15 de setembro aconteceu na primeira semana de outubro e na sequência de um manejo que teria de dar um intervalo pelo menos 15 dias até o plantio. O produtor que tinha a semente comprada correu para não perder o tempo correto da semeadura, esperando que chovesse, mas a chuva não veio”, conta o engenheiro agrônomo Ademir Bach, da SEEDCORP I HO, que, atuando na região, tem visto muitos produtores perdendo a soja que plantaram.

“Como não está chovendo, temos visto o efeito da escaldadura, que é quando a temperatura é muito superior e a semente degola a plântula no solo, o que ocasiona a sua perda”, revela. Bach, que é gerente comercial da empresa de genética de soja no Norte do Mato Grosso, explica ainda que quem plantou algodão não tem proteção do calor para o plantio de soja, dada a falta de massa vegetal pós-colheita, o que ocorre com o milho, por exemplo. 

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Nessa situação, segundo o engenheiro agrônomo, a indicação é o plantio de cultivares de 95 dias de ciclo superprecoce de DAP (dias após plantio). “Se o produtor estiver vivenciando esse fato pode não perder dinheiro ao apostar numa cultivar com essa característica, que poderá ser colhida de 30 de dezembro a 10 de janeiro”, avalia. A cultivar superprecoce, conforme informa Bach, não deixa o produtor perder o ciclo da soja, onde tem sua rentabilidade, e de aproveitar a janela de plantio de janeiro, que é a melhor para o cultivo do algodão. “As melhores médias de algodão são as dos cultivos ocorridos até 15 de janeiro”, lembra. 

Bach reforça ainda que a principal e grande vantagem de se plantar cultivares mais precoces é a antecipação de algodão ou milho segunda safra, para que consiga colher rápido e entrar com uma das duas culturas. “A soja é uma cultura responsiva a fotoperíodo e é importante estar atento à janela de plantio, além do manejo adequado, para que ela possa expressar seu potencial produtivo”, alerta.

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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