AGRONEGÓCIOS
Comercialização da soja brasileira safra 2022/23 alcança 80,7% da produção esperada, aponta DATAGRO Grãos
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Levantamento realizado pela DATAGRO Grãos mostra que, até o dia 1º de setembro, a comercialização brasileira da safra 2022/23 de soja atingiu 80,7% da produção esperada, abaixo dos 84,2% de igual período do ano passado, dos 96,6% do recorde da safra 2019/20 e dos 88,8% da média dos últimos cinco anos.
O avanço mensal foi de 6,8 pontos percentuais, aquém dos 7,8 p.p. registrados no mês anterior, mas acima da média normal, de 4,3 p.p. O fluxo corroborou as expectativas da DATAGRO Grãos, reflexodepreços melhores, necessidade de pagamentos e, em alguns casos, com o objetivo de abrir espaço para a entrada do milho de inverno. Porém, o atraso em relação à média plurianual deve-se aos preços em declínio no cômputo geral da temporada, aos custos de produção elevados, à insegurança sobre o padrão de clima em ano de La Niña e às incertezas políticas e econômicas com o início do novo governo.
Considerando a manutenção da estimativa de produção em 157,07 milhões de toneladas, os produtores brasileiros negociaram, até a data analisada, 126,78 mi de t de soja. Em igual período do ano passado, esse volume de produção negociado estava relativamente maior, mas menor em termos absolutos, chegando a 109,95 mi de t.
Safra 2023/24
As negociações da safra 2023/24 também mostraram bom avanço no período analisado. O levantamento da DATAGRO Grãos aponta para 18,1% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 4,0 p.p., acima dos 1,3 p.p. em semelhante época do ano passado e dos 3,0 p.p. da média plurianual. Apesar do bom incremento e de se encontrar acima dos 16,2% compromissados em 2022, o ritmo permanece aquém dos 46,7% do recorde da safra 2020/21 e dos 25,8% da média plurianual.
Com sinalização de área maior em 2,0%, a 45,4 milhões de hectares, além de positivo padrão tecnológico utilizado nas lavouras e fenômeno El Niño trazendo expectativa de clima regular, a intenção de plantio da DATAGRO Grãos para a nova safra brasileira da oleaginosa indica 163,0 mi de t.
Milho
O levantamento da DATAGRO Grãos mostra que a comercialização do milho da safra de verão 2022/23 no Centro-Sul do Brasil avançou 9,3 p.p., acima da média normal para o período, de 5,7 p.p. Com isso, as vendas alcançaram 72,4% da produção esperada, contra 63,1% do revisado levantamento anterior, 74,6% em igual momento de 2022 e 83,4% na média dos últimos 5 anos. Com previsão de safra em 20,2 mi de t, os produtores comercializaram 14,6 mi de t.
“O avanço da colheita de inverno e as deficiências da estrutura de armazenagem na região central do País levaram os produtores a dar sequência nas vendas do milho”, explica Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de conteúdo da DATAGRO Grãos.
A comercialização da safra de inverno 2023 da região, estimada em 95,8 mi de t, chegou a 51,7%, contra 47,3% no levantamento anterior, 55,1% na mesma data do ano passado e média dos últimos 5 anos de 68,6%.
“DATAGRO”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

