A safra de soja do Brasil 2022/23, com colheita já caminhando para o final em várias regiões, foi estimada nesta quinta-feira em recorde de 153,6 milhões de toneladas

Brasil tem produtividade recorde na soja apesar de seca no RS e recuo em fertilizante

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AGRONEGÓCIOS

A safra de soja do Brasil 2022/23, com colheita já caminhando para o final em várias regiões, foi estimada nesta quinta-feira em recorde de 153,6 milhões de toneladas, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que passou a projetar uma produtividade média nunca vista no maior produtor e exportador global da oleaginosa.

A colheita já era prevista em recorde, principalmente por um aumento anual de 5% na área plantada, para 43,5 milhões de hectares. Mas no relatório desta quinta-feira a Conab ajustou para cima o indicador de produtividade média nacional ao maior nível já registrado, em 3.527 kg/hectare.

Isso representa alta de 16,6% ante o ciclo anterior e 1 kg/ha acima da maior marca da história, vista em 2020/21, segundo dados da Conab.

Na previsão do mês passado, a estatal ainda projetava rendimento de 3.479 kg/ha no país. O aumento na colheita por hectare colabora com avanço de 2,2 milhões de toneladas na safra total de soja do país na comparação com o número de março da Conab, garantindo um salto anual de 22,4% para o Brasil no total colhido.

“Aumentou a área em todos os Estados produtores… Produtividade média recorde no país, embora o Rio Grande do Sul tenha sido afetado pela restrição hídrica aliada a altas temperaturas… mas todas as lavouras no (restante do) Brasil foram contempladas por condições favoráveis e chuvas regulares”, disse a analista de Safras da Conab, Candice Santos, ao explicar os números em transmissão pela internet.

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Apesar do menor uso de fertilizantes no país no ano passado por conta dos preços altos, a produtividade média registra forte recuperação ante a temporada anterior, quando uma maior parte do Sul foi afetada severamente pela seca.

“As produtividades fora do Rio Grande do Sul, do Paraná pra cima, todos os Estados… estão muito acima das médias normais, relatos de produtividade muito acima das declaradas nas estatísticas da própria Conab… o regime de chuvas e de insolação foi muito bom, isso acabou compensando o menor uso de fertilizantes”, disse o diretor da consultoria Cogo, Carlos Cogo.

Ele lembrou que houve um recuo de 11% nas entregas de adubos em 2022 no Brasil, mas destacou que as reservas de solo evitaram que a produtividade sofresse por falta de fertilizante em um primeiro ano. Para 2023/24, não é esperado grande problema neste aspecto, já que os preços do insumo estão abaixo das máximas de 2022.

Mas também é fator importante no ciclo atual a área plantada com soja, com o maior crescimento anual em nove anos no Brasil em meio à boa rentabilidade da cultura, segundo a consultoria StoneX.

Com o crescimento da safra e boa demanda externa, o Brasil deverá exportar um volume recorde de soja de 94,35 milhões de toneladas, ante 92,99 milhões na previsão de março. O total, se confirmado, representaria forte aumento na comparação com o alcançado na temporada anterior (78,7 milhões de toneladas).

 

Milho

Já a safra total de milho do Brasil 2022/23 foi prevista em históricas 124,9 milhões de toneladas, com ligeira alta na comparação com a projeção divulgada no mês passado, segundo a estatal. Em relação à temporada passada, o aumento é de 10,4%.

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A Conab projetou a segunda safra de milho em 95,3 milhões de toneladas, ante 95,6 milhões estimados no mês passado, enquanto elevou a previsão da colheita no verão para 27,2 milhões de toneladas e manteve a terceira safra estável em 2,3 milhões de toneladas.

“Esse aumento na produção total é resultado do aumento de área de milho segunda safra em conjunto com uma recuperação da produtividade projetada em campo das três safras. Cabe destacar que a Conab projeta um aumento de 1,8% na área plantada e de 8,4% na produtividade do setor”, disse o relatório.

A Conab ainda manteve a previsão de exportação de milho do Brasil em recorde de 48 milhões de toneladas para 2022/23, o que apagaria a melhor marca da história do ano anterior, de 46,6 milhões de toneladas.

Para a safra total de grãos e oleaginosas 2022/23, a previsão atual é de 312,5 milhões de toneladas, contra 309,9 milhões na estimativa de março, avanço de cerca de 15% na comparação anual, com impulso das colheitas de soja e milho.

A Conab ainda fez ajuste na safra de algodão do Brasil para 2,73 milhões de toneladas da pluma, ante 2,78 milhões na previsão de março, mas ainda um aumento anual de 7,1%.

“Reuters”

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Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

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Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura

O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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