AGRONEGÓCIOS
Brasil mantém embarques de carne bovina certificada antes do embargo da China
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Estas cargas estão em trânsito para um percurso que leva mais de 30 dias até o país asiático, com exportadores apostando que o fim do embargo será anunciado em breve.
“Toda mercadoria que estava dentro de navios no cais, ou no mar, até o dia do auto embargo segue viagem e até o momento não temos relatos sobre nenhum problema de descarga”, disse à Reuters a diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel.
Ela afirmou que há indicação de que os embarques aos chineses continuaram, considerando dados deste mês da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), embora não esteja claro quais foram os frigoríficos que realizaram envios.
A média diária de embarques de carne bovina do Brasil alcançou 8.428 toneladas no acumulado das duas primeiras semanas deste mês, quase 10% acima da média de março do ano passado, mostrou levantamento da Secex divulgado nesta semana.
A China costuma responder por mais da metade da exportação do Brasil.
Nas duas primeira semanas de março, a Secex contabilizou exportação de 67,4 mil toneladas.
O diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, disse que os dados do governo federal são uma sinalização de que houve embarque para a China saindo dos portos após o embargo, sendo cargas certificadas antecipadamente, “pois os outros mercados não substituem o mercado chinês” em volume adquirido, a ponto de justificar uma alta na média diária.
“A gente vai ver o efeito da suspensão, se houve mesmo um breque nos embarques, nos números de abril”, estimou.
“Acho que muita carne continuou indo sem problema, e não tivemos notícias de problema no desembarque (para os lotes que estavam próximos à China quando o embargo foi anunciado).”
Uma fonte de um grande frigorífico exportador do país confirmou à Reuters, na condição de anonimato, que os lotes continuaram saindo do país rumo à China mesmo após a suspensão, no caso de certificação até o dia 22 de fevereiro.
Procurado, o Ministério da Agricultura não respondeu de imediato a um pedido de comentários.
No caso dos frigoríficos que não conseguiram certificar suas carnes para a China até o dia em que o embargo começou, as perdas são estimadas entre 20 milhões e 25 milhões de dólares por dia útil, conforme reportagem publicada pela Reuters.
O Brasil suspendeu voluntariamente as vendas de carne bovina para a China em 23 de fevereiro após relatar um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da “vaca louca”, em conformidade com um protocolo sanitário entre os dois países.
A doença foi identificada em Marabá (PA) em um animal de nove anos e, posteriormente, o laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) confirmou que se trata de um caso atípico –quando a patologia surge espontaneamente em animais mais velhos, sem risco ao rebanho ou à saúde humana.
Além da China, os governos da Tailândia, do Irã e da Jordânia também suspenderam as compras de carne bovina do Brasil e a Rússia embargou lotes provenientes do Pará.
Uma comitiva do governo, integrada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estará na China neste mês para uma missão oficial. E a expectativa do governo e do mercado é que o embargo seja encerrado em breve.
“Reuters”
AGRONEGÓCIOS
Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

