Até o levantamento do mês passado, a Conab repetia os números da safra de 2022 em suas projeções para este ano, uma vez que o plantio não havia começad

Brasil ajusta produtividade do trigo e vê queda na safra apesar de maior plantio em 34 anos

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A safra de trigo do Brasil poderá cair este ano para cerca de 9,5 milhões de toneladas, versus um recorde de 10,5 milhões de toneladas da temporada passada, apontou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com um ajuste na produtividade média agora que o plantio começou no país, apesar da expectativa da área plantada em 2023 ser a maior em 34 anos.

Até o levantamento do mês passado, a Conab repetia os números da safra de 2022 em suas projeções para este ano, uma vez que o plantio não havia começado.

Mas agora, com o início dos trabalhos nos campos, a estatal revisou para baixo dados de produtividade média em 15,4%, para 2.894 kg/hectare, o que indica uma safra menor em 2023 apesar de expectativa de incremento de área plantada de 7%, para 3,3 milhões de hectares.

“Vemos uma redução em relação à safra passada, quando tivemos boas produtividades na região Sul. Para esta safra, a expectativa é de que produtividades voltem aos níveis normais”, afirmou o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, durante uma apresentação dos números.

O especialista citou aumentos de área no Paraná, onde a perda de janela ideal para o plantio de uma parte da safra de milho de inverno levou produtores para o trigo este ano. Paranaenses deverão semear 1,345 milhão de hectares, alta anual de 12,5%. Já a área do Rio Grande do Sul, o maior Estado produtor, foi mantida em 1,45 milhão de hectares.

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No país, a Conab já contabiliza plantio em 16,8% da área total prevista.

O total projetado para plantio no Brasil em 2023 que deverá se igualar aos 3,3 milhões de hectares vistos pela última vez em 1989.

Antes disso, quando as produtividades médias eram bem menores do que as atuais, de cerca de 1.600 kg por hectare, o Brasil chegou a plantar áreas maiores até 3,9 milhões de hectares em 1986, em época em que as compras de trigo do país eram garantidas pelo Estado, que visava manter estoques e preços sob controle.

 

MENOR EXPORTAÇÃO

Com os números mais baixos para a safra 2023, a Conab reduziu em 100 mil toneladas, para 2,6 milhões de toneladas, a previsão de exportação de trigo pelo Brasil no novo ano-safra, que se inicia em agosto para o cereal, quando a colheita estará começando.

No ano-safra que se encerra em julho, a previsão é de exportações de 2,8 milhões de toneladas, versus um recorde de 3,04 milhões no período anterior, segundo dados da Conab.

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À medida que a safra registrou recordes nos últimos anos, o Brasil passou a ser um exportador de volumes mais relevantes, embora seja um importador líquido de trigo.

A Conab disse em relatório que, com a retração do volume importado nos últimos meses, foi reajustado para baixo em 300 mil toneladas o montante estimado de importações no ano-safra que se encerra em julho, para um total de 5,2 milhões de toneladas.

A Conab citou baixa liquidez no mercado de trigo em abril, “visto que os produtores estão focados na safra de verão e a indústria ainda se encontra abastecida”.

Para o novo ano-safra, iniciado em agosto, a estatal também reduziu, em 200 mil toneladas, sua expectativa de importações, para 5,6 milhões de toneladas.

Com isso, o balanço é de estoques finais em 2023 de 1,4 milhão de toneladas, menores do que o esperado até o mês passado, mas ainda acima dos previstos para o final da temporada atual (1,28 milhão de toneladas).

“Reuters”

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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA

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O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.

Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.

Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens

Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.

No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.

Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina

Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.

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Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.

Exportações Sustentam a Demanda Externa

O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.

Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.

Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.

Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado

Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.

Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.

Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira

O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.

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A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.

Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.

Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar

A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.

Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.

Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas

O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
  • Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
  • Ritmo de crescimento da oferta interna;
  • Desempenho das exportações e variação cambial.

Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegóciov

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