O 9º levantamento de safra de milho para a temporada 22/23 de junho, feito pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), apontou a manutenção da área do cereal no estado, estimado em 7,42 milhões de hectares, aumento de 3,78% ante a temporada 2021/22
Área de milho de Mato Grosso para 2022/23 deve seguir em 7,42 mi de ha, diz Imea
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Essa projeção de incremento em relação à safra passada é reflexo da demanda mais aquecida e no início da semeadura para a temporada. No que tange aos rendimentos, o Imea reajustou a expectativa de produtividade da safra 22/23 para 110,05 sacas por hectare, alta de 4,20% quando comparado com o último relatório e 7,65% ante a safra 21/22. Esse cenário é reflexo do grande volume de áreas semeadas dentro da janela ideal (até o final de fevereiro), totalizando cerca de 80,00% das áreas de milho no estado.
Além disso, foi observado um maior volume de chuva e uma melhor distribuição das precipitações neste ano em relação a 2022 na maior parte das regiões do estado, o que auxiliou no desenvolvimento vegetativo e produtivo do milho. No que se refere as regiões, os destaques são para a médio-norte, com estimativa de rendimento de 112,56 sacas por hectare, sudeste com 111,83 sacas por hectare e oeste com 111,41 sacas por hectare.
Por fim, com a manutenção da área em relação ao relatório anterior e a adição na produtividade para a safra 2022/23, é aguardado uma produção de 48,99 milhões de toneladas, alta de 11,74% quando comparado com a temporada 2021/22.
No que tange a demanda da safra 2022/23, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aumentou a estimativa para 48,99 milhões de toneladas de milho, alta de 2,88% ante ao relatório de maio. O avanço foi pautado pela alta de 5,15% no consumo interno de Mato Grosso, devido a ampliação nas perspectivas de consumo de milho pelas usinas de etanol no estado.
Em relação as exportações, o modelo estatístico utilizado pelo Imea projetou um escoamento de 29,41 milhões de toneladas, incremento de 2,26% ante ao relatório passado. Além disso, a perspectiva de aumento na demanda externa foi outro fator que impulsionou a estimativa de exportação neste relatório. Desta forma, com uma oferta de 49,72 milhões de toneladas e uma demanda de 48,29 milhões de toneladas, os estoques finais para a safra 2022/23 estão previstos em 1,43 milhões de toneladas, alta de 103,51% ante a divulgação de maio e 95,07% comparado com a safra 21/22.
No que se refere a demanda da safra 2021/22, o Imea diminuiu a estimativa para 43,03 milhões de toneladas de milho, queda de 0,41%ante a estimativa de maio. Esse reajuste foi pautado, pela revisão quanto a perspectiva de exportação de milho para a safra, ficando em 26,50 milhões de toneladas (queda de 0,25% ante ao relatório anterior), devido a perspectiva de menor volume demandado pela China nesta temporada. Além disso, o consumo Mato Grosso também ficou menor, com redução de 0,96%, influenciado pela queda no número de bovinos confinados no estado, estimado em 11,75 milhões de toneladas. As informações são do Imea.
“Agência SAFRAS”
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Mercado de frango enfrenta pressão nas margens mesmo com exportações firmes, aponta Itaú BBA
Relatório Agro Mensal indica queda nos preços, aumento da competitividade frente à carne bovina e riscos com conflitos no Oriente Médio

Preços do Frango Caem e Pressionam Margens da Avicultura
O mercado de frango registrou queda nos preços ao longo de fevereiro, impactando diretamente as margens do setor, mesmo diante da redução nos custos de produção. Segundo o relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço da ave inteira congelada em São Paulo recuou 3,4% em relação ao mês anterior, sendo negociado a R$ 7,20/kg, acumulando queda de 14,5% na comparação anual.
Na primeira quinzena de março, os preços seguiram pressionados. Apesar de uma leve redução de 1% nos custos de produção, houve nova compressão do spread da atividade, que caiu para cerca de 34%, refletindo o desequilíbrio entre receita e custos na cadeia produtiva.
Redução no Custo da Ração Alivia, mas Não Sustenta Margens
Os custos de alimentação, principal componente da produção, apresentaram alívio ao longo de fevereiro. Tanto o milho quanto o farelo de soja registraram queda de preços, contribuindo para a redução dos custos operacionais.
No entanto, esse movimento não foi suficiente para compensar a queda nos preços da proteína, mantendo as margens pressionadas e limitando a recuperação da rentabilidade dos produtores.
Carne de Frango Ganha Competitividade Frente à Carne Bovina
Mesmo com preços em queda, a carne de frango ampliou sua competitividade em relação à carne bovina. Isso ocorre porque os preços do dianteiro bovino seguem em alta, tornando o frango uma alternativa mais acessível ao consumidor.
Na parcial de março, foram necessários mais de 3 kg de frango para equivaler a 1 kg de dianteiro bovino — um patamar 34% superior ao observado há um ano e 28% acima da média dos últimos cinco anos.
Exportações Sustentam a Demanda Externa
O desempenho das exportações segue como um dos principais pilares de sustentação do setor. Em fevereiro, o Brasil embarcou 427,3 mil toneladas de carne de frango in natura, volume 5,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o crescimento é de 4,5%.
Além do avanço em volume, o preço médio em dólar também apresentou valorização de 3,7% na comparação anual. Ainda assim, a variação cambial limitou os ganhos em reais, reduzindo o impacto positivo sobre a rentabilidade das exportações.
Entre os principais destinos, a maioria apresentou crescimento, com exceção de mercados relevantes como China e México, que registraram retração nas compras.
Aumento da Oferta Também Influencia o Mercado
Do lado da produção, os dados indicam crescimento na oferta. Os alojamentos de pintinhos em janeiro ficaram 3,6% acima do mesmo período de 2025, sinalizando maior disponibilidade de carne no mercado nos meses seguintes.
Esse aumento de oferta contribui para manter os preços pressionados, especialmente em um cenário de incerteza sobre o escoamento da produção no mercado externo.
Oriente Médio Eleva Riscos para a Avicultura Brasileira
O cenário internacional adiciona novos desafios ao setor. O conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, aumenta os riscos logísticos e comerciais.
A possibilidade de bloqueios no Estreito de Ormuz e a necessidade de redirecionamento de cargas podem elevar custos de transporte e prazos de entrega, afetando a competitividade do produto brasileiro.
Além disso, a incerteza sobre o fluxo de exportações pode resultar em maior oferta no mercado interno, limitando eventuais altas de preços.
Energia e Custos de Produção Voltam ao Radar
A escalada dos preços de energia, influenciada pelo cenário geopolítico, também impacta o setor. O aumento do petróleo tende a pressionar custos ao longo da cadeia produtiva, incluindo logística e insumos.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração se torna mais restrito, enquanto o comportamento da safra de milho safrinha segue como fator decisivo para a formação dos custos nos próximos meses.
Perspectivas: Cautela Diante de Incertezas
O cenário projetado para a avicultura brasileira indica continuidade de volatilidade, com margens pressionadas e elevada dependência do mercado externo.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Evolução dos conflitos no Oriente Médio e impactos logísticos;
- Comportamento dos custos de ração, especialmente milho e soja;
- Ritmo de crescimento da oferta interna;
- Desempenho das exportações e variação cambial.
Diante desse contexto, o setor deve seguir operando com cautela, monitorando fatores externos e internos que influenciam diretamente a rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegóciov

